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Fidesa estuda os mamíferos aquáticos no litoral amazônico

Diário 24 Horas
Atualizado há quase 5 anos
Fidesa estuda os mamíferos aquáticos no litoral amazônico

Botos, baleias, golfinhos e peixes-boi são alguns dos mamíferos aquáticos mais comuns na Amazônia. Para compreender melhor os hábitos de vida dessas espécies e descobrir novas oportunidades de conservação para elas, um projeto apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza está analisando carcaças desses mamíferos, encontradas no litoral paraense.

A pesquisa é desenvolvida pela Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia (Fidesa), que possui ações na região desde 2006. As carcaças coletadas pelos pesquisadores passam por análises minuciosas que fornecem dados importantes sobre os animais.

O responsável técnico pelo projeto, Salvatore Siciliano, explica que essas análises permitem saber, por exemplo, qual foi a causa da morte e até entender mais sobre os hábitos alimentares desses mamíferos. "A partir do exame do conteúdo estomacal, mesmo que sejam restos de peixe, conseguimos identificar qual era a dieta do mamífero As análises também permitem a descoberta de dados sobre crescimento, idade, maturação, reprodução e até mesmo contaminação”, explica. Um dos contaminantes identificados durante as pesquisas foi o Diclorodifeniltricloroetano (DDT), inseticida muito usado na região norte do país para o combate da malária.

Após analisadas, as carcaças coletadas foram encaminhadas para a Coleção de Mamíferos do Museu Paraense Emilio Goeldi, em Belém. Os repasses incluíram a entrega de 80 exemplares de botos-cinza, os quais permitirão novas pesquisas sobre a morfologia dessa espécie.

Participação dos pescadores

Parte dos encalhes dos mamíferos cujas carcaças são recolhidas acontece por causas naturais e parte por interação com o homem, o que inclui as atividades pesqueiras praticadas pelas comunidades locais. Como forma de divulgação dos resultados para esse público, foi elaborada uma cartilha em forma de história em quadrinhos com o título “Nem tudo que cai na rede é peixe!”, fazendo menção aos casos de captura acidental de animais nas redes de pesca.

O material entregue contribuiu para envolver a comunidade no projeto: parte dos pescadores têm auxiliado na pesquisa avisando quando ocorre algum contato com mamíferos marinhos. Com mais dados sobre a ocorrência dos mamíferos, os pesquisadores podem propor estratégias de manejo, como evitar o uso das redes nos locais em que há maior ocorrência de indivíduos dessas espécies.

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