Os projetos de prolongamento da avenida Independência e de duplicação da avenida Perimetral começarão a sair do papel neste mês e a execução será ainda neste ano. As duas obras, futuramente, formarão um anel viário multiacesso para a Região Metropolitana de Belém (RMB) ao se unirem com a nova João Paulo II, rodovia Arthur Bernardes, rua do canal São Joaquim, Estrada Nova e BR-316. Os novos acessos também resolvem problemas de saneamento, moradia e mobilidade urbana.
O prolongamento da avenida Independência é o projeto mais próximo de iniciar: a partir desta primeira quinzena. A Secretaria de Estado de Integração Regional e Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Seidurb) já licitou a obra, orçada em R$ 112 milhões. O órgão aguarda o licenciamento ambiental e a finalização do projeto. Após os 18 meses de trabalho previstos, a avenida se tornará uma rodovia estadual, ganhando 9,04 quilômetros de extensão, que vão ligar a rodovia do 40 Horas a uma saída próxima da divisa entre Ananindeua e Marituba. Parte do trajeto vai conter a avenida D. Zico (Arterial 18), em Ananindeua. O acesso e saída da nova rodovia serão feitos por duas pétalas na BR-316.
'Serão duas pistas para cada sentido, com ciclovia, calçadas, acostamento e possíveis novas linhas de ônibus. Será feito serviço de drenagem também. Essa via será muito importante porque viabilizará as obras do BRT do Ação Metrópole na BR-316. O tráfego será diluído. Faremos apenas 28 intervenções em imóveis no caminho. Algumas pessoas nem sairão de casa', explicou o titular da Seidurb, Márcio Espíndola. O trajeto vai acompanhar um linhão da Eletronorte e fará o contorno pela subestação. O processo licitatório atrasou em seis meses por conta de um recurso judicial contra o resultado da concorrência pública.
Na Perimetral da Ciência, as obras serão de duplicação, com intervenções em imóveis e criação de 340 unidades habitacionais, num total de R$ 53 milhões. Atualmente, quase toda a extensão da via possui apenas uma pista por sentido. Com as universidades e acessos à periferia e ao centro de Belém, os congestionamentos se tornaram comuns. Esse projeto iniciou durante o Fórum Social Mundial (FSM), em 2009, ainda no governo Ana Júlia Carepa. Porém, apenas o novo terminal rodoviário da Universidade Federal do Pará (UFPA) foi feito e um trecho foi duplicado. A extensão será do terminal até a feira da Bandeira Branca, no cruzamento das avenidas Almirante Barroso e Doutor Freitas. Será feito um quilômetro de desapropriações.
Espíndola afirmou que o projeto inicial precisava de ajustes e ainda não tinha financiamento. Somente agora há recursos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). As intervenções que seriam feitas em mil imóveis foram reduzidas para 500. Dessas casas, 340 serão padronizadas e semelhantes aos residenciais Jardins dos Ipês, entregues mês passado pela presidenta Dilma Rousseff, em Castanhal. Essas novas unidades habitacionais ficarão ao longo do muro da UFPA. As demais famílias serão remanejadas para projetos de moradia que estão sendo feitos pela Companhia de Habitação do Pará (Cohab), como o Liberdade I e II e o Riacho Doce.
'O trecho total de intervenções na Perimetral será de nove quilômetros, que também terá calçadas, ciclovia e acostamento. A divisória de pista será com barreiras New Jersey (muretas de concreto iguais às das obras do BRT na Almirante Barroso). Lançaremos o edital no próximo dia 15 e haverá 90 dias para contratação e prazo de execução de um ano', acrescentou o secretário. Para organizar o trânsito com as obras, a Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém (Amub, antiga CTBel) deverá colocar agentes e fazer desvios de tráfego.
Tucunduba
A macrodrenagem da bacia do Tucunduba, projeto da Seidurb muito aguardado por 240 mil pessoas que sofrem com alagamentos na área dos canais, terá o edital de contratação no dia 30 deste mês. A partir do segundo semestre deste ano, as seis obras que compõem o projeto deverão começar, com um prazo de 24 meses de execução. Porém, há a garantia de que no ano que vem, mesmo com o trabalho em andamento, os alagamentos já serão minimizados ou eliminados. O novo cenário será a criação de uma nova via, com duas pistas por sentido, calçadas e ciclovia. Pelo menos 1,2 mil famílias serão remanejadas.
Ao longo dos 2,2 quilômetros de extensão do igarapé do Tucunduba será feita retificação do canal, drenagem, construção de vias planas, sistemas de água com 60 metros para cada lado, aterro de quintais, construção de 14 pontes e três passarelas. Há 70 homens e maquinário para fazer a limpeza do canal principal e removendo as três pontes (Jabatiteua, Cipriano Santos e Roso Danin) que obstruem a passagem da água.
No lugar dessas três pontes, serão feitas outras, mas adequadas para o fluxo da água. O projeto antigo precisou ser refeito e dessa vez teve parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a empresa belga Tractebel. Ainda no ano passado o projeto foi entregue à Caixa e as planilhas de preços estão sendo aguardadas.
O titular da Seidurb, Márcio Espíndola, observa que construíram 13 canais com compõem a bacia do Tucunduba sem analisar a capacidade do igarapé. Logo, por mais que o canal principal levasse tudo para a baía, as marés influenciavam e os canais transbordavam, causando os alagamentos: 'Há 11 anos essa obra se arrasta e finalmente sairá do papel com um projeto amplo e coerente com toda a bacia. Já diminuímos os alagamentos em algumas áreas, mas ainda faltam várias outras. Certamente em 2014 ninguém mais sofrerá com esse problema nas áreas de canais do Tucunduba'.
Fonte: O Liberal
