Tambores, surdo, caixas de marabaixo, agogôs. Todos esses instrumentos são produzidos na oficina de Confecção de Instrumentos de Percussão ofertada na Fundação Curro Velho. A turma envolvida no processo de fabricação reúne músicos, alunos antigos e novatos. Todas as peças produzidas durante a oficina tem um destino certo: as oficinas de percussão realizadas nos Polos do Pro Paz Belém nos bairros do Guamá, Mangueirão e Terra Firme.
O músico percussionista Juracy Batista destaca o aspecto ambientalmente sustentável desse aprendizado. “É uma experiência muito interessante que o Curro Velho nos proporciona. Além de aprender um pouco mais sobre a fabricação de instrumentos, estamos reciclando a madeira que encontramos na rua, reaproveitando-a para transformá-la em itens que serão úteis para outras pessoas”.
O estudante Nilson Dlucas, de 15 anos, conta que o seu interesse pela música vem desde criança e que sempre teve vontade de aprender como se faz um instrumento. “Aqui a gente aprende se divertindo, primeiro fazendo o instrumento e depois tirando os sons deles”, diz. A trançadeira Ny Ferro também é aluna da oficina. “Estou montando um tambor. Já toco no Arraial do Pavulagem e agora quero aprender como se faz o instrumento.”
Os percussionistas Nazaco Gomes e Maurício Baiano, que ministram as oficinas do Pro Paz Campus III e Mangueirão, respectivamente, aprovam a iniciativa da Fundação Curro Velho. “Essa oportunidade é única, porque quando toca o instrumento o músico já o percebe pronto, só precisa desenvolver a habilidade de usá-lo. Já aqui, nas oficinas, a gente percebe outros aspectos que envolvem essa relação. A primeira é que o processo de confecção desses instrumentos é muito demorado e delicado. Os alunos aprendem a ter visibilidade do instrumento, e para quem trabalha com percussão isso é muito importante”, pontua Nazaco Gomes.
O arte-educador e músico Maurício Baiano ministra oficina para mais de 250 crianças e jovens no Pro Paz Campus Mangueirão. “Eu estou sempre aprendendo para ensinar melhor para a garotada. E aqui na oficina do professor Dimmi estamos aprendendo que o objeto reciclado também tem valor. E eu trabalho essa questão do reaproveitamento com os meus alunos, que formam o Grupo Timbrando o Som”, conta.
Para o instrutor Dimmi da Paixão, poder transmitir o conhecimento na construção de instrumentos é recompensador. “É gratificante esse trabalho, pois o aluno percebe durante a oficina como se dá a transformação das coisas. De um pedaço de madeira jogado se pode fazer algo muito bacana, como é o caso dos instrumentos de percussão, que são a matéria-prima para o músico. Aqui todos eles, além do valor educacional, tem um valor sentimental pois trazem a assinatura dos alunos-artífices.”
A oficina de Confecção de Instrumentos encerra nesta semana, na sede da Fundação Curro Velho.
Informações da Agência Pará

