A presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira (31), através do Twitter, se manifestou contra a violência e o estupro e citou a jornalista Nana Queiroz, organizadora do protesto “Não mereço ser estuprada”, que está mobilizando centenas de mulheres nas redes sócias: “Nenhuma mulher merece ser vítima de violência, seja física ou sob a forma de ameaça. O governo e a lei estão do lado das mulheres ameaçadas ou vítimas de violência.” Disse a presidente longo de sequencia de tweets.
A campanha iniciou depois que uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou que a maior parte dos entrevistados (65%) acredita que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. O movimento iniciado com Nana tem agora mais de 45 mil pessoas que aderiram no Facebook e pelo menos metade delas postaram fotos trazendo frases repudiando o estupro escritas no corpo ou em cartazes. Celebridades, como as cantoras Daniela Mercury e Pitty, também já aderiram à campanha e publicaram fotos declarando que não merecem ser estupradas.
Por conta da dimensão do protesto, a jornalista chegou a denunciar à Delegacia da Mulher as centenas de ameaças que recebeu, entre elas a de estupro e de outros tipos de violência. “Fui muito bem atendida, mas só para eles descobrirem a identificação do computador de quem me ameaçou vai levar uns seis meses”.
“Por ter se manifestado nas redes contra a cultura de violência contra a mulher, a jornalista foi ameaçada de estupro. Organizadora do protesto #NãoMereçoSerEstuprada, Nana Queiroz merece toda a minha solidariedade e respeito.” Disse Dilma defendendo a causa.
A jornalista espera medidas efetivas, como mudanças nas leis que protegem as mulheres: “Eu não esperava nada menos da presidente enquanto mulher. Fico contente que ela tenha se sensibilizado à causa. Espero que o apoio dela se converta em ações concretas como o apoio por leis mais atuais, ou talvez até uma atualização da Lei Maria da Penha para também proteger mulheres contra crimes virtuais.”
Amanhã o evento será desativado, mas o grupo #Eunãomereçoserestuprada, também criado pela jornalista, vai continuar ativo para debates sobre o tema.

