O inquérito policial federal aberto contra o festival Facada Fest, de Belém, ganhou notoriedade nesta semana, sobretudo após as afirmações de Sérgio Moro em apoio ao caso, que segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil representa apologia ao crime através do cartaz de divulgação do evento, que supostamente fere a honra do presidente da república, segundo as autoridades policiais, além de Carlos Bolsonaro, que se manifestou através das redes sociais, afirmando que era preciso agir com rapidez para frear as ações dos opositores ao governo.
Nesta sexta-feira (28), o Facada Fest aparece como um dos destaque na lista de assuntos do momento, no Twitter, com ensaios de apoio nacional e possíveis manifestações populares em resposta às diversas situações controversas do presidente, que na última quinta-feira (27) tentou justificar novamente o vídeo compartilhado pelo WhatsApp em convocação às manifestações do dia 15 de março, mas acabou cometendo uma gafe ao dizer que a produção seria de 2015, sendo que algumas imagens são de 2018.
O advogado representante do festival paraense, Adrian Silva, concedeu entrevista nesta sexta-feira e contou detalhes sobre o caso, afirmando que nenhum crime foi cometido, e que todos os responsáveis pelo evento estão colaborando com a Justiça, incluindo quem sequer entrou no inquérito. “É importante que se deixe claro que na verdade tudo isso se iniciou a partir de uma representação que foi feita por um instituto do estado de São Paulo, chamado ‘Instituto Conservador de São Paulo’. Eles fizeram uma representação junto à Procuradoria da República, o Ministério Público Federal, para que isso fosse apurado. A partir das informações que eles coletaram nas redes sociais em torno do evento, postagens, as imagens dos cartazes, comentários, etc., eles pediram que fossem tomadas providências por parte do Ministério Público Federal", afirmou Silva, também mencionando a inclusão de Bolsonaro como "suposta vítima desses supostos crimes".
O advogado também garante que está tomando um cuidado rigoroso para não revelar a identidade dos constituintes, para "preservar a intimidade delas nesse momento, muito embora nós estejamos falando de uma investigação policial que não tem segredo de justiça a rigor". Apesar do inquérito, é preciso atestar que não há nenhuma indiciação até o momento, já que nenhum crime foi comprovado, e o interrogatório funciona como fase antecedente a possíveis conclusões de crime. "O que se coloca nas peças informativas do inquérito até o presente momento, do ministério público federal, do ministério da Justiça e da segurança pública, é que, em tese, nós teríamos crimes de apologia de crime, crimes contra a honra do presidente da república. Pelo que ficou claro pra gente, o maior foco das autoridades no momento são os cartazes", confirmou Silva.
Milhares de mensagens de apoio ao Facada Fest podem ser encontrados nas redes sociais, com destaque para o Twitter, onde brasileiros de diversos estados manifestam-se a favor da liberdade de expressão e contra a tentativa de censura. Em várias publicações, os internautas exibem imagens de momentos em que bolsonaristas exaltavam violência gratuitamente, sem receber nenhum tipo de punição, como bonecos de Lula e Dilma enforcados, ou o adesivo repugnante que algumas pessoas colocavam ao redor da tampa do tanque de gasolina, com o rosto de Dilma e as pernas abertas, incentivos de assassinato a criminosos em manifestações a favor da liberação do armamento, entre outras situações que facilmente poderiam ser enquadradas como apologia ao crime, mas não foram.

