Weintraub ignora estudantes sem internet e faz enquete sobre adiamento do Enem no Twitter

Ministro da Educação realiza enquete no Twitter para saber a opinião dos inscritos no Enem.
Ministro da Educação realiza enquete no Twitter para saber a opinião dos inscritos no Enem.

Com o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio e outros vestibulares aprovado pelo Senado na última terça-feira (19), muitos estudantes comemoram, mas para o núcleo de apoio ao Governo, não há motivos para festa. A título de contextualização, o texto foi aprovado por 75 votos a 1, e foi Flávio Bolsonaro quem concedeu o único voto negativo da sessão.

O Ministro da Educação, Abraham Weintraub, também já demonstrou insatisfação com o debate sobre o adiamento do Enem e decidiu realizar uma enquete entre os mais de 4 milhões de inscritos no exame, afirmando que esta seria a medida certa para favorecer a democracia, ignorando completamente uma das principais discussões sobre a mudança no cronograma: a dificuldade de acesso à internet.

Em publicações recentes no Twitter, o ministro afirma que preza pela liberdade de escolha ao mesmo tempo em que compartilha publicações de internautas que o exaltam. "Qual o problema de escutar DIRETAMENTE os mais de 4 milhões de brasileiros já inscritos no ENEM? É constitucional. Deixem a voz do povo ser escutada!", disse Weintraub, defendendo a pesquisa online no Twitter como forma de escutar o povo. A enquete fica disponível no perfil do ministro até a manhã da próxima quinta-feira (21), e até o fechamento desta matéria já conta com quase 20 mil votos. 

Nos comentários da publicação, apoiadores e opositores discutem opiniões sobre o assunto. "Se a problemática é a questão dos alunos que não tem acesso à internet para estudarem, me diga como esses alunos vão se defender pela internet ? Gênio", disse um usuário, indignado. "Claro, os estudantes que devem falar, afinal de contas eles que serão beneficiados ou prejudicados", disse outro usuário, que exibe "Fechado com Bolsonaro" no título do perfil.

Impressiona o esforço de algumas figuras políticas brasileiras para caminhar no sentido oposto do que se espera diante da crise, e para especialistas políticos, sobretudo ligados à área educacional, trata-se de um absurdo a necessidade de votação no Senado para algo que poderia ser resolvido com uma simples "canetada" do presidente. 

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