Com Antônio Paulo Vogel como substituto, Weintraub diz que deve sair do Brasil o quanto antes

Apesar da relação anterior de Vogel com Haddad, espera-se que o MEC tenha uma fase de continuidade e não de ruptura com ideologias olavistas.
Apesar da relação anterior de Vogel com Haddad, espera-se que o MEC tenha uma fase de continuidade e não de ruptura com ideologias olavistas.
PorBruna Pinheiro19/06/2020 16h24

Na quinta-feira (18), Abraham Weintraub anunciou, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, a sua saída do Ministério da Educação, após uma série de crises envolvendo seu nome que estavam abalando a estrutura do governo atual. Após o anúncio, o nome que surgiu para ocupar o cargo, a priori interinamente, é do secretário-executivo Antônio Paulo Vogel.

Vogel é funcionário público de carreira desde 1988 e atuou na gestão de Fernando Haddad (PT) na prefeitura de São Paulo. Com formação em direito e economia, já atuou em locais como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, voltado principalmente para os setores de gestão e finanças. Desde o início da gestão de Weintraub no governo, ainda na Casa Civil, mesmo sendo considerado um incômodo para o governo Bolsonaro pela proximidade com o ex-adversário da corrida eleitoral.

De acordo com a CNN, Antônio Vogel já teria se reunido com o presidente em duas ocasiões, nos dias 17 e 18 de junho, já adiantando a saída de Weintraub para iniciar o rito de passagem. O governo também cogitou o nome do atual secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, mas acabou sendo vetado por ser ainda mais conservador que Weintraub e por ser um seguidor fiel do ideólogo e "guru" Olavo de Carvalho. Com isso, apesar da relação anterior de Vogel com Haddad, espera-se que o MEC tenha uma fase de continuidade, e não de ruptura com ideologias olavistas.

Conforme anunciado, Weintraub deve assumir o posto de diretor-executivo do Banco Mundial, mas que ainda deve ser votado pelos demais países que compõem o setor em que o ex-ministro da educação irá atuar. O próprio Vogel já atuou como consultor em finanças públicas para o Banco Mundial.

Ainda em relação ao Banco Mundial, em entrevista à CNN, o ex-ministro da Educação informou que deverá embarcar para os Estados Unidos para assumir o cargo em Washington o mais breve possível. Weintraub relatou que ele e sua família vem sofrendo ameças de morte constantes: "A prioridade total é que eu saia do Brasil o quanto antes". “Agora é evitar que me prendam, cadeião e me matem”, emendou. 

O conveniente, entretanto, é que há poucos dias o ex-ministro foi mantido na investigação que tramita sobre "Fake News", além de diversos outros processos que correm contra ele no STF. O prêmio de consolação de ida para o Banco Mundial soa como próprio do clã Bolsonaro, que acalenta os seguidores cegos apesar da grande lista de problemas que Weintraub acarreta. Estão exportando o problema para evitar mais investigações e escândalos.

+Abraham Weintraub

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Sobre o autorBruna Pinheiro
Internacionalista. Escrevo hoje sobre política, economia, filmes e séries. Adoro viajar e comer (não necessariamente nessa ordem). Segue lá @bpinheiro1