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Brasil 'repete' caso George Floyd com PM pisando no pescoço de mulher negra em SP

Brasil 'repete' caso George Floyd com PM pisando no pescoço de mulher negra em SP
Policial chegou a colocar todo o peso do corpo em cima do pescoço da mulher detida

Nem os intensos protestos contra o racismo desencadeados após a morte de George Floyd em Minneapolis, nos Estados Unidos, foram capazes de conter a truculência policial ao redor do mundo. No Brasil, mais um triste caso chegou aos noticiários, com a reportagem do Fantástico que exibiu um PM utilizando o pé para imobilizar uma mulher negra no chão, pelo pescoço, em São Paulo

De acordo com a reportagem, a mulher de 51 anos é dona de um pequeno bar e teria sido abordada no estabelecimento pelos policiais, que justificaram a agressão argumentando que ela teria tentado atingi-los com uma barra de ferro. Ela negou. Veja o flagrante:

Nas redes sociais, milhares de internautas manifestam indignação com mais um episódio de violência policial inexplicável, enquanto outros milhares aproveitam para ironizar a situação e atribuir à reportagem do Fantástico uma conduta sensacionalista, simplesmente porque mostrou o que, de fato, aconteceu. 

O mais curioso é verificar que muitas pessoas, sobretudo na sessão de comentários da versão online da manchete original, parecem ignorar a existência do racismo e preferem clamar pela ausência do termo "negro" para descrever a situação. "Fui ver a reportagem, quando falou MULHER NEGRA, já parei por alí. E daí se é negro ou branco amarelo azul. A própria mídia impõe o racismo, principalmente a Globo", disse um internauta, seguido por vários outros com a mesma linha de raciocínio. "O racismo explícito da imprensa marrom dá nojo. A mulher seja afrodescendente, caucasiano, portugadescendente, japonesa..., faz alguma diferença?", disparou outro usuário.

Trata-se de uma situação que, por mais injusta que seja, gera negações daqueles que preferem fornecer ao mundo um total de zero contribuições intelectuais para melhora-lo. Pelo contrário, milhões de pessoas fazem questão de fingir cegueira em relação ao racismo truculento enraizado na sociedade e atribuem aos diálogos anti-racistas uma distorção de proporções incalculáveis, mantendo as esperanças gerais cada vez mais escondidas, e o medo nas alturas.

Imagem do autor Marcos Henderson
Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson

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