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Sem status especial para Hong Kong nos EUA, lei de segurança nacional ameaça relações internacionais

Bruna Pinheiro
Sem status especial para Hong Kong nos EUA, lei de segurança nacional ameaça relações internacionais
O temor das consequências da Lei de Segurança Nacional fez com que o jornal New York Times retirasse parte de sua equipe de Hong Kong.

Com a adoção da controversa nova Lei de Segurança Nacional para Hong Kong aprovada pelo governo chinês, as relações do território com outros países está estremecida. Segundo Pequim, a lei visa lidar com a onda de separatismo e interferências externas na Região Administrativa Especial (RAE). Mas para os críticos da lei, a medida diminui a autonomia de Hong Kong, compromete a liberdade civil, além do legado de "um país, dois sistemas". A aprovação da lei repercutiu negativamente a ponto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirar o status especial da cidade.

As discussões internacionais sobre o tema surgiram desde o debate para criação da lei ainda no período de reuniões das Duas Sessões, em maio deste ano. A China já havia declarado que retaliaria países que interferissem nos seus assuntos internos com Hong Kong, já que a RAE passará a ser controlado completamente pela China em 2047, mantendo sua autonomia de porto livre e centro financeiro internacional.

Entretanto, para os Estados Unidos e outros países, como Austrália e França, avaliam que o atual posicionamento da China demonstra seu poderio de vigilância e controle, fazendo com que Trump retirasse o status especial de parceria de Hong Kong e firmasse uma lei com sanções contra políticos e bancos chineses por conta da lei de segurança nacional. “A liberdade foi tirada deles, os direitos foram tirados deles. E assim se vai Hong Kong porque não vai conseguir mais competir no mercado, na minha opinião. Muitas pessoas deixarão Hong Kong”, declarou Trump.

Para além de questões políticas e de migração, o comércio também deverá ser afetado fortemente, já que a empresa chinesa Huawei, desenvolvedora da tecnologia 5G, está sofrendo retaliações por parte de vários governos com o temor de espionagem e roubo de dados. O próprio Trump informou que aconselhou outros governantes a não desenvolverem relações comerciais com a empresa no momento da divulgação do cancelamento do status especial de Hong Kong, o que pode gerer um problema sério até mesmo para o Brasil.

A Huawei é uma das principais empresas no países a investirem na infraestrutura de telecomunicações há quase duas décadas, responsável pelo desenvolvimento e crescimento das redes 3G, 4G e 4.5G, e também traçavam um plano para o 5G no Brasil. Mas as relações próximas, diga-se de passagem muito amigáveis, entre o presidente Bolsonaro e Trump podem frustrar os planos da empresa e do desenvolvimento tecnológico do país.

Decerto, a China não concorda com as atitudes geradas internacionalmente, aja vista que, em seu ponto de vista, o país está acima de tudo garantindo a ordem em Hong Kong após meses de manifestações, caos gerado pela pandemia e espalhando uma tecnologia ainda não alcançada por vários países. “A China tomará as necessárias respostas para proteger os seus interesses legítimos e vai impor sanções contra relevantes políticos e entidades dos EUA”, informou a nota do Ministério das Relações Exteriores.

Como mais uma cartada no imbróglio internacional, o New York Times retirou seus jornalistas de Hong Kong devido as incertezas criadas para seus jornalistas com nova lei de segurança, temendo represálias e extradições. Apesar dos correspondentes que cobrem Hong Kong permanecerem, cerca de um terço da equipe do jornal deve sair quando seu pólo na Ásia for realocado para Seul.

O xadrez internacional segue se movimentando, e com cartadas mais duras de uma China mais impositiva sobre suas atitudes e com o um mundo mais dependente de sua tecnologia. Apesar das incertezas e silêncio, Hong Kong deverá seguir como um importante hub comercial na região até o desenvolvimento mais consolidado de seus vizinhos.

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