Sem status especial para Hong Kong nos EUA, lei de segurança nacional ameaça relações internacionais

O temor das consequências da Lei de Segurança Nacional fez com que o jornal New York Times retirasse parte de sua equipe de Hong Kong.
O temor das consequências da Lei de Segurança Nacional fez com que o jornal New York Times retirasse parte de sua equipe de Hong Kong.
PorBruna Pinheiro15/07/2020 21h30

Com a adoção da controversa nova Lei de Segurança Nacional para Hong Kong aprovada pelo governo chinês, as relações do território com outros países está estremecida. Segundo Pequim, a lei visa lidar com a onda de separatismo e interferências externas na Região Administrativa Especial (RAE). Mas para os críticos da lei, a medida diminui a autonomia de Hong Kong, compromete a liberdade civil, além do legado de "um país, dois sistemas". A aprovação da lei repercutiu negativamente a ponto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirar o status especial da cidade.

As discussões internacionais sobre o tema surgiram desde o debate para criação da lei ainda no período de reuniões das Duas Sessões, em maio deste ano. A China já havia declarado que retaliaria países que interferissem nos seus assuntos internos com Hong Kong, já que a RAE passará a ser controlado completamente pela China em 2047, mantendo sua autonomia de porto livre e centro financeiro internacional.

Entretanto, para os Estados Unidos e outros países, como Austrália e França, avaliam que o atual posicionamento da China demonstra seu poderio de vigilância e controle, fazendo com que Trump retirasse o status especial de parceria de Hong Kong e firmasse uma lei com sanções contra políticos e bancos chineses por conta da lei de segurança nacional. “A liberdade foi tirada deles, os direitos foram tirados deles. E assim se vai Hong Kong porque não vai conseguir mais competir no mercado, na minha opinião. Muitas pessoas deixarão Hong Kong”, declarou Trump.

Para além de questões políticas e de migração, o comércio também deverá ser afetado fortemente, já que a empresa chinesa Huawei, desenvolvedora da tecnologia 5G, está sofrendo retaliações por parte de vários governos com o temor de espionagem e roubo de dados. O próprio Trump informou que aconselhou outros governantes a não desenvolverem relações comerciais com a empresa no momento da divulgação do cancelamento do status especial de Hong Kong, o que pode gerer um problema sério até mesmo para o Brasil.

A Huawei é uma das principais empresas no países a investirem na infraestrutura de telecomunicações há quase duas décadas, responsável pelo desenvolvimento e crescimento das redes 3G, 4G e 4.5G, e também traçavam um plano para o 5G no Brasil. Mas as relações próximas, diga-se de passagem muito amigáveis, entre o presidente Bolsonaro e Trump podem frustrar os planos da empresa e do desenvolvimento tecnológico do país.

Decerto, a China não concorda com as atitudes geradas internacionalmente, aja vista que, em seu ponto de vista, o país está acima de tudo garantindo a ordem em Hong Kong após meses de manifestações, caos gerado pela pandemia e espalhando uma tecnologia ainda não alcançada por vários países. “A China tomará as necessárias respostas para proteger os seus interesses legítimos e vai impor sanções contra relevantes políticos e entidades dos EUA”, informou a nota do Ministério das Relações Exteriores.

Como mais uma cartada no imbróglio internacional, o New York Times retirou seus jornalistas de Hong Kong devido as incertezas criadas para seus jornalistas com nova lei de segurança, temendo represálias e extradições. Apesar dos correspondentes que cobrem Hong Kong permanecerem, cerca de um terço da equipe do jornal deve sair quando seu pólo na Ásia for realocado para Seul.

O xadrez internacional segue se movimentando, e com cartadas mais duras de uma China mais impositiva sobre suas atitudes e com o um mundo mais dependente de sua tecnologia. Apesar das incertezas e silêncio, Hong Kong deverá seguir como um importante hub comercial na região até o desenvolvimento mais consolidado de seus vizinhos.

+Internacional

Sobre o autorBruna Pinheiro
Internacionalista. Escrevo hoje sobre política, economia, filmes e séries. Adoro viajar e comer (não necessariamente nessa ordem). Segue lá @bpinheiro1