YouTube proíbe teorias da conspiração do movimento pró-Trump, 'QAnon'

Considerado pelo FBI uma 'ameaça terrorista doméstica' no ano passado, o grupo teve milhões de visualizações no YouTube
Considerado pelo FBI uma 'ameaça terrorista doméstica' no ano passado, o grupo teve milhões de visualizações no YouTube
PorMarcos Henderson16/10/2020 13h00

O YouTube começou a proibir vídeos promovendo teorias da conspiração, incluindo publicações de usuários vinculados a grupos como QAnon ou Pizzagate. A notícia, confirmada na última quinta-feira (15), virou assunto do debate entre o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu concorrente nas eleições, o democrata Joe Biden, durante a noite. 

A plataforma prometeu a remoção de vídeos que tentam justificar a violência com teorias conspiratórias relacionando crimes como estupro e pedofilia ao satanismo, por exemplo. O QAnon ficou conhecido por compilar crenças falsas em um cenário de total apoio à gestão de Trump e atribuindo aos democratas uma figura anticristã. O Pizzagate, por exemplo, conecta Hillary Clinton a uma rede de pedófilos. 

Ao longo dos três anos desde que as teorias QAnon surgiram pela primeira vez na internet, o alcance do grupo cresceu, especialmente na corrida para as eleições nos Estados Unidos em 2020. O FBI chegou a classificar o movimento como uma ameaça terrorista doméstica no ano passado, mas plataformas de mídia social como o YouTube foram cruciais para ampliar o alcance das teorias conspiratórias. 

Um vídeo chamado "Out of the Shadows", por exemplo, apresentava figuras importantes do movimento QAnon e foi postado no YouTube em abril, atingindo quase 18 milhões de visualizações em menos de cinco meses, de acordo com um relatório de agosto sobre a evolução do movimento nas redes sociais pela empresa de análise Graphika.

Ontem, o YouTube afirmou que há havia removido dezenas de milhares de vídeos relacionados ao QAnon, além de encerrar centenas de canais. "Todo esse trabalho foi fundamental para limitar o alcance de conspirações prejudiciais, mas há ainda mais que podemos fazer para lidar com certas teorias da conspiração que são usadas para justificar a violência no mundo real, como QAnon", disse o comunicado oficial da empresa.

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson