Diário 24 Horas

Análise | Obi-Wan Kenobi: Episódio final decepciona ao trazer apenas o que já sabíamos

Final da temporada não causa impacto e ainda exige 'esquecimento oportuno', com futuros já decididos em obras paralelas.

Episódio final foi ao ar nesta quarta (22) e não teve a recepção esperada.
Episódio final foi ao ar nesta quarta (22) e não teve a recepção esperada.
Carol Souza
PorCarol Souza

Claro, é uma impossibilidade metafísica no mundo real (para qualquer pessoa fora de um episódio de “Arquivo X”), mas ainda é bom que nenhum de nós saiba ao certo como nossos amigos e familiares vão morrer. É o tipo de conhecimento que influenciará cada interação, nos fará pensar se cada decisão que eles tomam os aproximará cada vez mais de seu destino final – e assim seria difícil se conectar com seus amigos e familiares, se você soubesse como todos iriam morrer. Poderia até mesmo, se tornar difícil se preocupar com o que acontece com eles. E é com este pensamento que chegamos ao final da temporada de “Obi-Wan Kenobi”. Atenção: esta análise contém spoilers.

Repleto de ação, o episódio final com uma hora de duração não atingiu as expectativas dos fãs de Star Wars. Nas duas sequências semi-paralelas da “Parte VI”, pudemos ver Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) mais uma vez enfrentando seu ex-aprendiz Darth Vader (Hayden Christensen/James Earl Jones), enquanto isso, de volta a Tatooine, Owen Lars (Joel Edgerton) e sua esposa Beru (Bonnie Piesse) protegem seu sobrinho Luke (Grant Feely) do vingativo ex-inquisidor Reva (Moses Ingram).

Ambas as sequências, dirigidas pela diretora da série Deborah Chow, eram tecnicamente competentes. Mas foi muito difícil se envolver verdadeiramente na trama porque havia pouca dúvida sobre quem viveria e quem morreria aqui.

Owen e Beru não podem ser mortos por Reva, porque os stormtroopers fazem o trabalho 10 anos depois. Vader eventualmente duela com Obi-Wan até a morte, mas não até que eles se encontrem novamente na Estrela da Morte. E o bebê Luke Skywalker, é claro, tem um futuro longo e expansivo pela frente, incluindo uma breve estadia no Vale Uncanny.

O final da temporada de Obi-Wan Kenobi dividiu opiniões dos fãs. Foto: Reprodução
O final da temporada de Obi-Wan Kenobi dividiu opiniões dos fãs. Foto: Reprodução
O final da temporada de Obi-Wan Kenobi dividiu opiniões dos fãs. Foto: Reprodução

O único personagem na mistura aqui cujo destino final não foi pré-estabelecido pelo cânone foi o de Reva, e para ser honesta, era difícil de se importar muito em seu destino final, dado o quão confusas as motivações da personagem se pareciam naquela altura. Ela queria matar Luke como vingança por Darth Vader... matar outras crianças? Talvez fizesse sentido nas páginas do roteiro, mas o significado se perdeu completamente em sua adaptação para a tela, garantindo que quando ela finalmente se mostrasse incapaz de se voltar totalmente para a escuridão no final do episódio, não parecesse algo tão merecido assim.

Não é que como se quem estivesse assistindo esperasse por um final para “Obi-Wan” onde pedras caíssem e todo mundo morresse. É só que, devido às restrições da premissa, realmente não havia como essa série entregar um final realmente emocionante, além de garantir que seu roteiro ficasse focado no personagem-título e em sua jornada.

Mesmo a grande surpresa do episódio – Liam Neeson retornando ao papel do falecido mestre de Obi-Wan – foi revelada no início da temporada pelo teaser estendido “Anteriormente em Star Wars…”, que nos lembrou de “As tarefas de Wan”, enquanto o personagem estava em Tatooine tentando criar uma conexão com Qui-Gon Jinn. Para ser clara, teria sido ridículo, mas também profundamente engraçado, se Neeson não tivesse tido tempo de filmar essa rápida participação, mas tivesse tempo de aparecer na terceira temporada de “Atlanta”.

Apesar de um final frustrante, “Obi-Wan Kenobi” não é uma grande decepção no final. Por um lado, sabíamos que esta era uma série prequel, e ficarmos bravos com um tigre por ter listras parece um desperdício de energia. Mas também, em seus momentos mais calmos e focados no personagem, realmente brilhou. A resposta da crítica e dos fãs ao retrato de Leia pode ser um pouco mista, mas um spin-off estrelado por Vivien Lyra Blair, com Kumail Nanjiani como a babá leal e sorrateira de Leia definitivamente soa como algo imperdível por aqui.

A visão adicional da galáxia governada pelo Império teve uma relevância valiosa par, e Indira Varma, como a ex-oficial imperial Tala Durith, pode ter tido o arco multi-episódio mais forte, com uma conclusão de partir o coração. E digo possível porque, adivinhe - nós ainda não sabíamos como ela havia morrido!

Além disso, pontos para Christensen por realmente fazer jus ao seu salário no episódio final, fazendo um pequeno discurso arrepiante pela fenda em seu capacete sobre quem realmente matou Anakin Skywalker, um discurso que também configura o comentário de Obi-Wan em “Episódio IV - A Nova Esperança” para Luke sobre quem realmente matou seu pai.

São toques como esse que podem parecer sustentar a razão da existência da série, à medida que as lacunas na narrativa da Saga Skywalker diminuem em número: dar aos fãs as respostas para perguntas como “Por que Obi-Wan diria a Luke que Darth Vader 'traiu e assassinou seu pai'?”.

Mas, na verdade, para mim, o maior valor do programa pode ser encontrado nas maneiras como presta homenagem às famílias Lars e Organa, reconhecendo os conflitos e sacrifícios que os pais adotivos de Luke e Leia realizaram de forma honrosa.

Afinal, são os personagens que nos mantém engajados, algo que não é exclusivo de “Star Wars”, mas de todas as histórias, na verdade. É por isso que, por mais que reclamemos, nós ainda toleramos prequelas, porque elas nos oferecem a oportunidade de passar um pouco mais de tempo com nossos amigos fictícios – mesmo que isso signifique fazer o possível para esquecer de forma completamente oportuna, ao menos naquele momento, como suas histórias realmente acabam.

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