A paixão do torcedor da Argentina pelo futebol transcende as quatro linhas, alimentada por rivalidades históricas que moldaram a identidade da seleção em Copas do Mundo. Embora o confronto continental contra o Brasil seja o tradicional superclássico da América do Sul, e o Uruguai carregue o peso de ter sido o oponente na primeira final de 1930, é a relação com a Inglaterra que desperta os sentimentos mais viscerais. Esse duelo ganhou contornos épicos e geopolíticos após a Guerra das Malvinas em 1982 e as atuações imortais de Diego Maradona em 1986, eternizadas pelo gol da "Mão de Deus" e pelo "Gol do Século".
Essa rivalidade histórica voltou a ferver em um dos capítulos mais emocionantes desta Copa do Mundo, o confronto na semifinal, disputado em 15 de julho. reafirmou para muitos torcedores que os ingleses continuam sendo os adversários mais emblemáticos da Albiceleste em Mundiais, superando até mesmo a histórica rivalidade com os brasileiros.
No entanto, se a Inglaterra representa o drama geopolítico, a Alemanha assume o papel de principal obstáculo esportivo da Argentina na história da Copa do Mundo. Os alemães (incluindo o período como Alemanha Ocidental) são os adversários mais frequentes dos argentinos na competição, com sete confrontos registrados. Esse duelo de gigantes já decidiu o título mundial em três ocasiões: em 1986, com vitória sul-americana, e em 1990 e 2014, ambas terminando com triunfo europeu.
O retrospecto geral em Copas do Mundo é amplamente favorável aos germânicos, consolidando a Alemanha como uma verdadeira pedra no sapato argentino. Ao todo, são três vitórias alemãs, dois empates e apenas uma vitória da Argentina no tempo regulamentar, além da final de 2014, que também terminou com vitória europeia na prorrogação. Além das finais perdidas, os argentinos sofreram eliminações dolorosas para os alemães nas quartas de final de 2006 e 2010, reforçando o status da Alemanha como o grande algoz contemporâneo da seleção argentina em momentos decisivos.

