O nome de Flo Rida entrou nos assuntos do momento do X no Brasil nesta sexta-feira (11), na categoria Música, e o motivo não tem nada a ver com lançamento de música nova. O rapper americano foi parar nos trending topics depois que a revista piauí publicou os bastidores de uma festa sigilosa promovida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em 2023, cuja programação musical teria custado mais de R$ 17 milhões só em cachês. A reportagem, assinada pelo repórter João Batista Jr., é baseada em um relatório da Polícia Federal de 218 páginas, produzido em agosto de 2026 a partir da extração do celular de Vorcaro e enviado ao Supremo Tribunal Federal. O documento reúne conversas de WhatsApp trocadas durante a organização do evento.
Uma terça-feira de Halloween no Bixiga
A festa aconteceu em 31 de outubro de 2023, uma terça-feira, na boate Madame Underground Club, a antiga Madame Satã, na Bela Vista, em São Paulo. Foi tudo montado para não vazar: celulares confiscados na entrada e endereço mantido em segredo até a noite do evento. Vorcaro dizia apenas que a comemoração seria em um lugar perto do Rosewood, hotel de luxo da região da Avenida Paulista.
A articulação dos convites masculinos coube ao ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, enquanto o promoter Tiago Polo ficou responsável por chamar as mulheres. Em uma das mensagens, Vorcaro escreveu a Faria que havia 120 mulheres e 20 homens confirmados e que estava tendo que cortar convidadas por falta de espaço. O banqueiro apareceu fantasiado de Drácula, com capa escura e maquiagem simulando um corte no peito.
De onde vem o nome de Flo Rida
Aqui cabe a distinção que boa parte das redes ignorou. O relatório da PF menciona um post do perfil @anatrackid no Instagram, que Vorcaro encaminhou ao hacker Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, com a ordem direta: derrubar esse. A publicação mostrava apresentações de Solomun, Vintage Culture e Swedish House Mafia em uma festa particular contratada por um empresário no Madame Satã. A PF anotou que se tratava, aparentemente, de um evento realizado por Vorcaro. O post nunca foi removido e segue no ar.
Flo Rida aparece por outra via. Uma publicação feita no X ainda em 2023, por alguém que trabalhou no evento, voltou a circular agora que o autor descobriu quem estava por trás da festa. Na época ele só sabia que um milionário havia fechado uma casa noturna em São Paulo. Imagina o quão rico você tem que ser para contratar essa galera para uma festa particular, escreveu, citando Flo Rida, Swedish House Mafia, Solomun e Vintage Culture. Foi esse post ressuscitado que jogou o rapper para os trending topics. Nem Flo Rida nem sua equipe se manifestaram sobre o assunto.
A conta do line-up
As estimativas de cachê ajudam a entender por que a festa virou assunto. Em 2023, Flo Rida não saía por menos de US$ 150 mil para shows nos Estados Unidos, valor que subia para cerca de US$ 1 milhão em um evento no Brasil. O Swedish House Mafia, que figura na lista da Forbes dos artistas mais bem pagos do mundo, tinha cachê estimado em US$ 2 milhões. Solomun girava em torno de US$ 100 mil, podendo dobrar em shows fora da Europa. Vintage Culture ficava em torno de R$ 500 mil, chegando a R$ 1 milhão em eventos exclusivos. Somados, os artistas passariam de R$ 17 milhões.
Os nomes que a investigação cita
Em 24 de outubro de 2023, uma semana antes do evento, Fábio Faria escreveu a Vorcaro: Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli tb. As referências são aos senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco e ao ministro Dias Toffoli, do STF. Os três negaram ter comparecido. As equipes dos senadores afirmaram que eles tinham compromissos em Brasília e jantaram juntos naquela noite. Faria disse à piauí que sua participação se limitou a enviar convites a amigos em comum para um evento privado.
Vorcaro está preso desde a Operação Compliance Zero, que levou à liquidação do Banco Master, e a investigação já expôs outras frentes de atuação do banqueiro no ambiente digital, como o esquema milionário de desinformação contra o Banco Central revelado pela PF.
O esforço para manter a festa longe das redes, no fim, produziu o efeito contrário: quase três anos depois, ela está no topo dos assuntos do momento.
