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Alcolumbre, Pacheco e Toffoli aparecem em lista de convidados de festa de Vorcaro; todos negam ter ido

Mensagens periciadas pela PF citam senadores, ministro do STF e outros nomes do primeiro escalão. Constar da lista não significa ter comparecido, e as assessorias negam presença no evento de 2023.

Bruna Pinheiro
Alcolumbre, Pacheco e Toffoli aparecem em lista de convidados de festa de Vorcaro; todos negam ter ido
Alcolumbre foi um dos mencionados nas mensagens. Foto: Agência Brasil.

As mensagens que a Polícia Federal extraiu do celular de Daniel Vorcaro e que a revista piauí publicou nesta sexta-feira (11) trouxeram para o centro do debate uma lista de convidados. Nela aparecem o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o ministro do STF Dias Toffoli e Rodrigo Pacheco, que em 2023 presidia o Senado e hoje é ministro do Tribunal de Contas da União.

Antes de qualquer coisa, um ponto que precisa vir logo no início: estar numa lista não é prova de ter ido. Todos os citados negaram presença no evento, e até agora não há registro divulgado que mostre qualquer um deles na festa.

O que dizem as mensagens

Em 24 de outubro de 2023, uma semana antes do evento, Fábio Faria escreveu a Vorcaro informando que Alcolumbre e Pacheco estavam confirmados para a terça-feira e que ele também havia convidado Toffoli. Na mesma conversa, segundo a piauí, Faria relatou que Alcolumbre queria saber se as convidadas estrangeiras, apelidadas no grupo de “suíças”, iriam à festa. Vorcaro respondeu que sim.

No dia seguinte, Faria reforçou as confirmações e mencionou que Toffoli tentaria comparecer, já que presidia uma sessão da Segunda Turma do Supremo naquela data. Quando Vorcaro perguntou por “Ciro”, em provável referência ao senador Ciro Nogueira, ouviu que ele estaria viajando.

Os diálogos citam ainda um “Arthur” e um “Alexandre”. Segundo o relatório da PF, as referências seriam ao deputado Arthur Lira e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Aparece também um “Wesley”, cujo nome teria sido levado ao banqueiro por alguém identificado como “MV”.

As negativas, uma a uma

Rodrigo Pacheco foi o mais categórico. Afirmou que não participou dessa nem de qualquer outra festa e lembrou que, naquele dia, estava em Brasília presidindo a sessão do Senado até o período noturno, com transmissão ao vivo e registro público facilmente verificável.

As assessorias de Alcolumbre e Pacheco acrescentaram que os dois jantaram juntos em Brasília naquela noite. Dias Toffoli também negou ter ido ao evento, por meio de sua assessoria.

Fábio Faria declarou que conheceu Vorcaro em um fórum empresarial em outubro de 2023 e que apenas repassou convites a amigos em comum para um evento privado.

A assessoria de Wesley Batista afirmou que não há qualquer elemento que permita identificá-lo como o “Wesley” das mensagens e que ele nunca participou de festa promovida pelo banqueiro. O advogado Marcus Vinícius Furtado Coêlho, apontado pela reportagem como possível “MV”, negou ser a pessoa citada e disse que estava em Brasília na data.

Por que a lista interessa à investigação

O ponto que a Polícia Federal persegue não é a festa. É o padrão. Os investigadores apuram se eventos desse tipo serviam para aproximar Vorcaro de autoridades do Legislativo, do Judiciário e do mundo empresarial, ampliando a rede de influência do banqueiro num período em que o Banco Master crescia rapidamente.

Essa linha aparece em várias frentes do caso, que já rendeu o depoimento de Vorcaro à PF, a oitiva de um delator no Supremo e uma disputa interna sobre o sigilo dos documentos, que levou à decisão de André Mendonça sobre o comando da corporação.

O vídeo que voltou a circular

Nesta sexta, um vídeo atribuído à festa voltou a circular nas redes sociais. O material não mostra Moraes, Pacheco ou Alcolumbre, e nada no que foi divulgado até agora comprova a presença de qualquer autoridade no local.

O relatório da PF que originou toda a repercussão tem 218 páginas, foi produzido em agosto de 2026 e está anexado à PET 15.556, no STF. É provavelmente só o primeiro de vários capítulos: parte expressiva dos documentos do Caso Master segue sob sigilo.

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