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Do TikTok ao “Sicário”: como Vorcaro tentou apagar os rastros da festa de 2023

Na manhã seguinte ao evento, uma convidada postou um vídeo e o banqueiro exigiu a remoção. Semanas depois, mandou o link de outra publicação ao segurança apontado pela PF como seu homem de pressão.

Bruna Pinheiro
Do TikTok ao “Sicário”: como Vorcaro tentou apagar os rastros da festa de 2023
Daniel Vorcaro durante campanha para o Banco Master. Foto: Divulgação.

De toda a documentação que a Polícia Federal reuniu sobre a festa de Daniel Vorcaro em outubro de 2023, o trecho mais relevante para a investigação talvez não seja o que aconteceu dentro da boate. É o que veio depois.

As mensagens periciadas pela PF e reveladas pela revista piauí nesta sexta-feira (11) mostram duas tentativas distintas de tirar do ar conteúdo sobre o evento. E a segunda delas conecta a noite no Madame Satã a uma frente bem mais pesada do inquérito.

A primeira tentativa: o vídeo do TikTok

Na manhã seguinte à festa, uma das convidadas publicou no TikTok um vídeo com o título “MELHOR FESTA DE HALLOWEEN”. Vorcaro reagiu no mesmo dia. Cobrou do promoter Tiago Polo, responsável pelo recrutamento das convidadas, a remoção imediata da publicação. O vídeo saiu do ar em seguida.

O episódio é pequeno em si, mas revela o tamanho da preocupação. Toda a estrutura montada antes da festa, com celulares recolhidos na porta, endereço mantido em sigilo e segurança na área interna, foi furada por um post de rede social feito por uma convidada.

A segunda tentativa: “derrubar esse”

Em novembro de 2023, segundo os autos da investigação, Vorcaro enviou a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão o link de uma publicação no Instagram que mencionava os DJs contratados e o evento fechado. A ordem foi curta: “derrubar esse”. Mourão respondeu afirmativamente.

Mourão é apontado pela Polícia Federal pelo apelido de “Sicário”. Ele foi preso em uma investigação sobre a atuação de uma suposta milícia privada que, segundo os investigadores, teria sido usada para intimidar prestadores de serviço e desafetos do banqueiro. Em março de 2026, o segurança morreu dois dias depois de uma tentativa de suicídio em instalações da PF em Belo Horizonte.

É esse detalhe que muda o peso da história. Um pedido banal de remoção de post passa a ser lido como parte de um método, porque foi direcionado à mesma pessoa que aparece em episódios de intimidação no inquérito.

Links desindexados

O relatório da PF também analisa conversas envolvendo Felipe Mourão e uma série de links que teriam sido retirados dos resultados de busca do Google ou desindexados. É mais um indício, na leitura dos investigadores, de um esforço sistemático de controle da imagem pública do banqueiro e do Banco Master.

Não é a primeira vez que a gestão de reputação aparece na apuração. A PF já havia revelado um esquema milionário de desinformação contra o Banco Central, em outra frente do mesmo caso.

De onde vem o material

Tudo consta do relatório IPJ-A nº 3298613/2026, de 218 páginas, produzido em agosto deste ano pela Polícia Federal a partir da extração do celular de Vorcaro e enviado ao Supremo Tribunal Federal na PET 15.556.

Vorcaro está preso desde novembro de 2025, quando foi detido ao tentar deixar o país, e é investigado por fraude bilionária no Banco Master. Nas últimas semanas ele prestou novo depoimento à PF e mudou de estratégia jurídica, enquanto um delator era ouvido no STF e a disputa sobre o sigilo dos autos escalava até a decisão de André Mendonça sobre o comando da Polícia Federal.

Procurado pela piauí, Fábio Faria, que ajudou a montar a lista de convidados, afirmou que apenas repassou convites a amigos em comum para um evento privado. Os demais citados na reportagem também negaram participação ou apresentaram explicações.

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