Antes de Pedro, Carrillo, Rossi ou Paquetá, a semifinal da Libertadores da América desta quinta-feira (15) tem um duelo que começa na beira do campo. Leonardo Jardim e Alexander "Cacique" Medina voltam a se encontrar no Estádio UNO, em La Plata, às 21h30. Da última vez que estiveram ali, seis meses atrás, os dois saíram expulsos.
Foi no 1 a 1 de 29 de abril, pela terceira rodada do Grupo A. Luiz Araújo abriu o placar para o Flamengo aos 33 minutos do primeiro tempo, e Guido Carrillo empatou aos 10 do segundo. No meio da pressão do Estudiantes, a arbitragem chilena de Piero Maza mostrou o vermelho para os dois treinadores. Foi também a noite em que Arrascaeta fraturou a clavícula.
Dois técnicos que chegaram no meio do caminho
Jardim assumiu o Flamengo em 4 de março, dois dias depois da demissão de Filipe Luís, com contrato até dezembro de 2027. O português vinha do Cruzeiro, com quem terminou o Brasileirão de 2025 em terceiro lugar, e estreou com título: o Carioca, decidido nos pênaltis contra o Fluminense. No currículo, leva o Monaco campeão francês de 2017.

Medina chegou ao Estudiantes ainda mais tarde, em fevereiro, para o lugar de Eduardo Domínguez. O uruguaio vinha do Talleres, onde ganhou a Supercopa Internacional sobre o River, e se apresentou em City Bell com uma frase que virou cartão de visita: trabalhar muito, falar pouco e deixar o time aparecer em campo.
Os caminhos até a semifinal também foram diferentes. O Flamengo terminou em primeiro no grupo e eliminou Cruzeiro e Independiente del Valle, este por 3 a 1 no agregado. O Estudiantes ficou em segundo, passou pela Universidad Católica com 4 a 1 no placar somado e tirou o Corinthians numa série dramática. Agora volta a uma semifinal 17 anos depois do título de 2009 e é o único clube não brasileiro entre os quatro.
Um retrospecto que pesa para um lado
Contra o Flamengo, Medina ainda não sabe o que é vencer. Em quatro jogos como treinador, são três derrotas e um empate.
A história começa em 2022, na semifinal com o Vélez. Na ida, em Liniers, o Rubro-Negro de Dorival Júnior fez 4 a 0, com três gols de Pedro e um de Everton Ribeiro. Medina viu tudo de fora: estava suspenso depois de ser expulso contra o Talleres nas quartas. Na volta, no Maracanã, Pratto até abriu o placar, mas Pedro empatou e Marinho virou para 2 a 1.
Em 2026 vieram o 1 a 1 de abril e o 1 a 0 de maio, no Maracanã, com gol de Pedro. No duelo direto com Jardim, o português leva uma vitória e um empate.
O detalhe que o torcedor rubro-negro não vai deixar passar: Pedro marcou em todas as três vitórias do Flamengo sobre times de Medina, com cinco gols no total. É por isso que a dúvida entre Pedro e Bruno Henrique para comandar o ataque ganha peso extra nesta noite.
O que cada um leva para o UNO
Medina não terá o zagueiro Marcos Rojo, que não foi liberado pela Conmebol, e deve manter Carrillo como referência no ataque. Antes de eliminar o Corinthians em São Paulo, o uruguaio repetiu que a história do clube obriga o Estudiantes a jogar para frente, inclusive fora de casa. Em La Plata, com a torcida empurrando, a tendência é a mesma pressão do jogo de abril.
Jardim chega com o meio definido, com Pulgar, Saúl e Paquetá, e a provável escalação tem Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Saúl e Paquetá; Carrascal, Samuel Lino e Bruno Henrique. O retrospecto completo do confronto mostra por que a ida na Argentina costuma ser o jogo mais duro da série.
A volta será no dia 22 de outubro, também às 21h30, no Maracanã. Quem passar disputa a final em 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
