A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou que pretende fazer um acordo de delação premiada e que não vai poupar o presidente Lula (PT) nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As declarações foram dadas em entrevista à CNN Brasil, exibida na noite de sábado (17), a um dia do primeiro debate do 2º turno e a uma semana da votação. Lula e a defesa de Lulinha negam irregularidades.
O que disse Roberta
Na entrevista, Roberta disse ter visto Lulinha reunido "inúmeras vezes" com ministros do governo e afirmou que o presidente sabia desses encontros. Ela citou ainda Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e mencionou uma suposta participação de Lulinha em negociações envolvendo uma construtora ligada ao grupo português Mota-Engil.
A empresária também rebateu Lula, que no início do mês, em entrevista ao Flow Podcast, a chamou de "pilantra" e de "Vorcaro feminino", em referência ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na ocasião, o presidente disse não conhecê-la e afirmou que o filho teria de prestar contas e não teria proteção da Polícia Federal.
Anunciar a intenção de delatar não equivale a ter um acordo. Uma colaboração premiada depende de negociação com a PF ou o Ministério Público e de homologação pela Justiça, e as informações precisam ser comprovadas.
O que dizem Lula e Lulinha
Em nota divulgada pela Secom, Lula afirmou que "desconhece inteiramente" os fatos relatados, que nunca manteve interlocução com Roberta nem recebeu demandas dela e que não existe contrato do governo federal com a empresária. A nota estranha que as declarações apareçam às vésperas do 2º turno e diz que a divulgação de denúncias sem comprovação é uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral.
A defesa de Lulinha disse que ele não cometeu irregularidade, que teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático abertos e que sua relação com ministros é pessoal, construída desde a infância. Os advogados afirmam que as falas de Roberta são incompatíveis com o depoimento que ela prestou às autoridades e classificam as investigações como "pescaria probatória".
Quem é Roberta Luchsinger
Herdeira de um ex-acionista do antigo banco Credit Suisse, Roberta foi candidata a deputada estadual pelo PT em São Paulo em 2018, sem se eleger. Ela é investigada pela PF na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de aposentadorias do INSS, e foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025.
Em depoimento à PF, em maio, ela confirmou ter apresentado Lulinha a Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", apontado como um dos operadores do esquema. Ela nega, porém, ter repassado dinheiro ao filho do presidente.
Em julho, a defesa de Roberta pediu ao STF que investigasse um suposto vazamento de conversas dela com Lulinha para a então pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Os advogados afirmaram desconhecer autorização judicial para a interceptação dessas comunicações.
O caso no debate
O tema deve aparecer no debate desta noite, às 20h, na Band. Em ato na Avenida Paulista neste domingo, Flávio disse que pretende usar o confronto para expor o que chamou de "crimes" de Lula. Na pesquisa Datafolha mais recente, Flávio tem 51% dos votos válidos e Lula, 49%.
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