O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do empresário e influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. O pedido foi feito nas alegações finais do processo e divulgado nesta quarta-feira (28).
O pedido ainda não é uma condenação. Cariani, de 50 anos e com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, responde ao processo em liberdade e nega participação no esquema. A decisão caberá à Justiça de São Paulo.
Os promotores também pediram a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Para Roseli Dorth, sócia de Cariani, e Andréia Domingues Ferreira, que também eram rés, o pedido foi de absolvição.
Quanto tempo de prisão Cariani pode pegar
Pelo cálculo do advogado criminalista Anderson Almeida, que soma uma associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos e 59 de lavagem de dinheiro, a pena de cada condenado poderia ficar entre 16 anos e 4 meses e 51 anos e 8 meses, se a Justiça acolher a acusação como foi apresentada.
O total depende de como o juiz enquadrar a relação entre os crimes. E, mesmo que a soma passe disso, o limite de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos.
O esquema investigado na Anidrol
O processo vem da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023. O centro da investigação é a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa de Diadema, na Grande São Paulo, da qual Cariani é sócio.
De acordo com o Gaeco, grupo do MP que combate o crime organizado, a Anidrol simulou em 59 ocasiões vendas de produtos químicos para farmacêuticas que nunca fizeram os pedidos. Os insumos, segundo a acusação, iam parar na produção de cocaína e crack, abastecendo o tráfico de drogas.
Entre os episódios citados está a retirada de 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína faturados em nome da AstraZeneca, em fevereiro de 2018, fora do horário de expediente. A investigação começou em 2019, depois que a farmacêutica avisou que não reconhecia notas fiscais emitidas pela Anidrol em seu nome.
Mensagens com policial são citadas pelo MP
Outro ponto da acusação são conversas no celular de Cariani com o policial civil André Dziuba, que trabalhava na fiscalização de produtos químicos usados no refino de drogas.
Para o Gaeco, as mensagens indicam que o influenciador recebia informações sobre diligências, sugeria empresas para fiscalização e sabia para onde iam os produtos. Em abril de 2019, segundo os promotores, Cariani respondeu ao policial que uma determinada substância servia para aumentar o rendimento da cocaína.
Defesa confia na absolvição
O advogado Aldo Romani Netto disse que o pedido do MP era esperado e mantém a tese da acusação desde o começo da ação. Agora o processo está na fase de alegações finais da defesa, que vai responder a cada argumento com base nas provas reunidas na instrução.
"Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani", afirmou o advogado.
As defesas de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira não haviam se manifestado até a última atualização.
Linha do tempo do caso Cariani
A PF fez buscas na casa do influenciador em dezembro de 2023 e o indiciou no fim de janeiro de 2024. Em 16 de fevereiro daquele ano, a Justiça aceitou a denúncia e o tornou réu, com proibição de deixar o país e entrega do passaporte. Depois das alegações finais das defesas, caberá à Justiça decidir se condena ou absolve os réus.
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