A quatro dias do segundo turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) transformaram a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico em mais uma frente da campanha. Os dois já protocolaram autorizações no TSE, mas cada um condiciona a própria abertura a exigências feitas ao adversário. Até esta quarta-feira (21), nenhum dado foi divulgado, e o tribunal ainda não decidiu nada.
Como começou
O desafio surgiu no debate da Band, no domingo (18). Depois de ouvir Flávio acusá-lo de corrupção várias vezes, inclusive com ataques ao filho Lulinha, Lula questionou o patrimônio declarado pelo senador. Em seguida, propôs que os dois abrissem suas contas e seus registros telefônicos "para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país".
Flávio respondeu no debate que não tinha nada a esconder. Depois, disse a jornalistas que a proposta chegava a ser engraçada, porque Lula não usa celular.
O pedido de Lula
Na terça-feira (20), a defesa do presidente protocolou no TSE e no STF uma autorização para a divulgação dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos. O pedido inclui a primeira-dama Janja, os cinco filhos de Lula e a empresa de palestras da qual ele é sócio.
A condição é que Flávio faça o mesmo, incluindo:
Jair Bolsonaro.
A mãe, Rogéria.
Os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan.
A esposa, Fernanda.
Empresas ligadas a ele.
No TSE, o caso foi sorteado para o ministro André Mendonça, vice-presidente da corte.
A resposta de Flávio
Nesta quarta-feira, Flávio entregou ao TSE uma petição em que autoriza a abertura de seus sigilos dos últimos 20 anos, de familiares citados por Lula e de empresas das quais é sócio. Mas impôs condições:
A abertura dos dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
A abertura dos dados do Instituto Lula e do ex-presidente da entidade, Paulo Okamotto.
A divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde 2023, incluindo despesas ligadas a Janja.
A divulgação de registros de visitas ao Palácio da Alvorada.
Segundo a petição, o senador só entrega os próprios dados depois que as informações exigidas forem disponibilizadas.
Lula diz aceitar tudo
Horas depois, o senador Camilo Santana (PT-CE), da coordenação da campanha, afirmou que Lula não se opõe a nenhuma das condições e que Marcola também concordou em abrir seus dados. A campanha cobra reciprocidade total e questiona a ausência de uma empresa, a Alcazar Holdings, na lista apresentada por Flávio. Os petistas anunciaram que vão ampliar o pedido no TSE.

O que acontece agora
Cabe ao ministro André Mendonça analisar os pedidos. A escolha do relator não autoriza, por si só, nenhuma divulgação, e não há prazo para decisão antes da votação de domingo (25).
O caminho jurídico também é incerto:
Competência do TSE: a quebra de sigilo costuma ser determinada pela Justiça dentro de uma investigação, a pedido da polícia ou do Ministério Público. Críticos da iniciativa afirmam que o TSE não tem competência para divulgar esses dados a partir de uma autorização particular.
Terceiros: pessoas como filhos, cônjuges e ex-assessores precisariam consentir individualmente.
Divulgação voluntária: nada impede que cada candidato publique por conta própria as informações que quiser.
A disputa deve voltar ao centro do último debate entre os dois, na sexta-feira (23), na TV Globo.
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