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Horário de votação prorrogado até 19h: o que dizem TSE, Lula e Flávio

Zanin, do STF, estendeu a votação do 2º turno até as 19h em todo o país após falhas no transporte; TSE cobrava dados e as duas campanhas tinham pedidos próprios.

Bruna Pinheiro
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Horário de votação prorrogado até 19h: o que dizem TSE, Lula e Flávio
O STF confirmou há pouco a prorrogação após a comprovação de problemas na mobilidade urbana. Imagem: Gemini.

O horário de votação do segundo turno das Eleições 2026 foi prorrogado até as 19h, pelo horário de Brasília, em todas as seções do país neste domingo (25). A ordem partiu do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pouco depois das 17h, horário original de encerramento. Ele atendeu a um pedido da coligação de Lula (PT), feito depois de denúncias de redução da frota de ônibus em várias cidades.

Na decisão, Zanin citou a "gravidade dos fatos narrados" e a urgência da medida. Segundo o texto, o pedido chegou ao Supremo às 16h32, e a execução da ordem ficou a cargo do TSE.

Veículos como Exame e Terra noticiaram que a Justiça Eleitoral atendeu à prorrogação. A Revista Oeste, por sua vez, informou que o sistema de divulgação de resultados foi aberto logo após as 17h, com a primeira parcial às 17h06. Até a publicação desta reportagem, não estava claro como a ordem seria aplicada nas seções que já tinham encerrado a votação.

O que aconteceu com o transporte

O caso mais grave foi em Salvador. Ônibus ficaram retidos em uma garagem no Caminho de Areia na manhã de domingo, e o presidente do TRE-BA, Mauricio Szporer, mandou prender em flagrante o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. A decisão exigiu a volta de 100% da frota em uma hora, sob multa de R$ 1 milhão por hora. Souza está em Paris, em missão oficial. Ele atribuiu a redução a um "adesivaço" e disse que o serviço foi normalizado. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) chegou a oferecer policiais militares habilitados para dirigir os coletivos.

Em São Paulo, a coligação de Lula denunciou que só cerca de 60% da frota circulava. O TRE-SP determinou que a Prefeitura e a SPTrans prestassem informações imediatas. Também houve queixas em Feira de Santana e Lauro de Freitas (BA), Petrópolis (RJ) e Teresina. Em Aracaju, a rodoviária ficou lotada de eleitores tentando chegar ao interior.

No Sul e no Sudeste, o problema foi a chuva. O Inmet colocou parte da região em alerta laranja para tempestades, e locais de votação tiveram de ser trocados em cidades como Itapevi (SP), Curitiba e Guaratuba (PR).

O que disse o TSE

Em entrevista no início da tarde, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, falou em dificuldades pontuais no transporte e disse que os problemas já estavam sendo corrigidos pelos tribunais regionais. Questionado sobre a prorrogação, respondeu que já havia um pedido no tribunal e que ele seria analisado "no seu tempo".

Às 16h06, Nunes Marques assinou um despacho dando 30 minutos para o TRE-BA informar se a frota de Salvador tinha sido restabelecida e para a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestar. No documento, lembrou que a Presidência do TSE negou a prorrogação no segundo turno de 2022, quando houve denúncias de blitze em ônibus nas estradas, por entender que o voto não chegou a ser impedido. Para decidir agora, ele pediu dados sobre quantos eleitores foram de fato prejudicados, como estava a circulação dos ônibus e se era viável manter as seções abertas.

Antes da decisão do STF, a regra em vigor era a de sempre: quem estivesse na fila às 17h recebia senha e votava. Segundo a Exame, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, reforçou que esse direito vale também para quem estivesse na área externa ou nas vias de acesso ao local de votação.

O que pediram as campanhas

A campanha de Lula começou pedindo a extensão até as 19h em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Em nova petição, assinada às 15h42, incluiu cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Pernambuco, Paraíba, Piauí, Alagoas e Roraima. Se o pedido fosse negado, a coligação queria senhas para todos os eleitores presentes nos locais de votação às 17h. Sem resposta do TSE, o PT recorreu ao STF pedindo a prorrogação em todo o país.

Lula falou com a imprensa em frente à sua casa, em São Paulo, cerca de uma hora e meia antes do fim da votação. Disse que, depois da eleição, vai pedir a prisão de prefeitos que reduziram o transporte e afirmou que "ninguém pode desistir de votar". O ministro Guilherme Boulos (PSOL) acusou prefeitos aliados de Flávio de usar a máquina pública para dificultar o acesso às urnas.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também pediu ao TSE votação até as 19h, mas em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, entre eles São Paulo, Curitiba, Guaratuba, Tijucas e Joaçaba. O argumento foram as chuvas, os alagamentos e as interdições de vias. A campanha afirmou que o eleitor não pode ser obrigado a escolher entre a própria segurança e o voto. O pedido previa que as demais seções transmitissem os votos normalmente, mas sem divulgação do resultado até o fim do horário extra. O Diário não localizou, até a publicação, manifestação da campanha de Flávio sobre a decisão de Zanin.

Decisão gera questionamentos

Zanin foi advogado de Lula na Operação Lava Jato e chegou ao STF por indicação do presidente, em 2023. Adversários do governo criticaram a decisão monocrática a poucos minutos do fim da votação, tomada enquanto o pedido ainda estava em análise no TSE. Na decisão, o ministro justificou a medida pela urgência e pela gravidade das denúncias de falta de transporte.

E o resultado?

Mais de 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar neste segundo turno, que chegou à véspera com as pesquisas em empate técnico. Antes da prorrogação, Nunes Marques estimava o resultado entre 20h30 e 21h. A apuração no exterior, que começou pela Nova Zelândia, já está em andamento desde a manhã.

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