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PF investiga se Flávio Bolsonaro saiu do Brasil pela Argentina

Site argentino diz que Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira para pegar jatinho aos EUA; governo Milei nega a entrada e a PF segue apurando.

Bruna Pinheiro
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PF investiga se Flávio Bolsonaro saiu do Brasil pela Argentina
Jornal Argentino diz que Flávio deixou o Brasil. Foto: Agência Brasil.

A Polícia Federal consultou autoridades da Argentina na manhã desta terça-feira (27) para verificar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil pela fronteira e seguiu para os Estados Unidos em um avião particular. A checagem começou depois de o site argentino Infobae publicar, na madrugada, que o parlamentar teria entrado no país vizinho usando a carteira de identidade. O governo argentino nega que ele tenha entrado no país, e a campanha de Flávio diz que ele não saiu do Brasil.

A suspeita surge um dia depois de o senador ser intimado a entregar seus passaportes por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também o proibiu de deixar o território nacional.

O que diz o site argentino

Segundo o Infobae, Flávio embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, em um jato Gulfstream G400 com decolagem prevista para as 2h desta terça, no horário local. A aeronave, de matrícula LV-JQW, pertence à empresa Baires Fly S.A. e está registrada na Argentina em nome dela desde setembro de 2020. O site publicou uma foto do avião na pista.

Dados de rastreamento do Flightradar mostram que um avião com essa matrícula saiu de Buenos Aires e pousou em Puerto Iguazú às 23h45 de segunda-feira (26). A presença da aeronave na cidade, por si só, não comprova que o senador tenha embarcado.

O que a PF já verificou

De acordo com integrantes da cúpula da PF ouvidos pela imprensa, Flávio não passou por nenhum posto regular de controle migratório brasileiro nas últimas horas. Como Puerto Iguazú fica colada a Foz do Iguaçu (PR), a corporação considera a hipótese de uma travessia irregular, sem passagem pela fiscalização, e por isso acionou os argentinos.

As primeiras verificações não encontraram registro de entrada do senador na Argentina. Depois, o porta-voz do presidente argentino Javier Milei, Fabián Fernández, negou à agência Bloomberg que Flávio tenha entrado no país.

Versões sobre o paradeiro de Flávio

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio, negou a saída ao portal Metrópoles. "Não saiu", afirmou.

Dois aliados do senador, porém, disseram ao SBT News que ele deixou o Brasil e pretendia seguir para os Estados Unidos. O advogado Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom no governo Bolsonaro, classificou a notícia do Infobae como "fake news".

Na segunda, em vídeo nas redes sociais, Flávio contou que foi abordado por agentes da PF ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Ele criticou a decisão, disse que nunca pensou em deixar o país e prometeu cumprir a ordem: "Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração". Segundo o senador, a medida teria sido motivada por uma declaração do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que sugeriu que Flávio saísse do Brasil se perdesse a eleição.

Nas redes, também circula um vídeo que mostraria Flávio embarcando para os EUA depois da derrota. A checagem da agência Aos Fatos mostrou que as imagens são de maio deste ano, de uma viagem do senador a Washington.

O que Moraes decidiu

A decisão de Moraes foi tomada em uma investigação no STF sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador. O ministro cancelou os passaportes brasileiros de Flávio, inclusive o diplomático, e deu 24 horas para a entrega dos documentos, incluindo eventuais passaportes de outras nacionalidades. Flávio também está proibido de manter contato com Tomaz. Os dois negam irregularidades.

A intimação aconteceu na manhã seguinte ao segundo turno das Eleições 2026, que teve a votação prorrogada até as 19h e terminou com a vitória de Lula (PT) sobre Flávio no domingo (25).

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