A petição da Crimeia para se juntar à Rússia torna Vladimir Putin diretamente em oposição ao Ocidente, em um impasse que tem cada vez mais coisas em jogo e consequências imprevisíveis. Provavelmente orquestrada pelo presidente russo, a votação daria a Putin uma posição vantajosa na crise sobre a atual situação da Ucrânia.
Porém esta vantagem pode provocar uma onda de hostilidade de outros líderes governamentais pró-ocidentais em Kiev que se recusaram a recorrer a ação militar e tornar ainda mais tensas as relações de majoritariadade nas regiões de língua russa.
"Estamos em um ponto muito perigoso, e que ameaça empurrar a crise política na direção de uma situação militar", disse o ex-analista do Kremlin Gleb Pavlovsky.
Os líderes da Ucrânia não têm dúvidas de quem está por trás dos recentes atos na Crimeia, incluindo a convocação de um referendo para decidir se a península ucraniana do Mar Negro, cuja população é, na maioria, de etnia russa, deve retornar à Rússia, à qual pertenceu num período da União Soviética.
"Não é um referendo, é uma farsa, uma falsificação e um crime contra o Estado, organizado por militares da Federação Russa", disse o presidente em exercício da Ucrânia, Oleksander Turchinov, na capital do país, Kiev.
Putin, na prática, jogou na cara dos diplomatas ocidentais o argumento deles de que a deposição em 22 de fevereiro do presidente Viktor Yanukovich, apoiado por Moscou, tem de ser aceita porque o seu afastamento atendeu à vontade do povo.
O líder russo, de 61 anos, parece sentir que tem todas as cartas na mão. Há a pretensão no dia 16 de março de fazer um referendo pedindo aos eleitores da Crimeia que somam pouco mais de 2 milhões de habitantes, para responderem se desejam unir-se à Rússia ou permanecer como parte da Ucrânia.

