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Sob caos econômico e alianças fragilizadas, Bolsonaro se aproxima de Impeachment

Marcos Henderson
Atualizado há quase 5 anos
Sob caos econômico e alianças fragilizadas, Bolsonaro se aproxima de Impeachment
Presidente mantém postura otimista e se afasta de poderes fundamentais

O presidente Jair Bolsonaro enfrenta o período mais conturbado de seu mandato, com a queda constante da Bolsa de Valores e o consequente aumento do valor do dólar, que já chegou na faixa dos R$ 4,80 e é negociado a R$ 5 nas casas de câmbio, além do afastamento cada vez maior entre o Planalto e o Congresso, sobretudo após a convocação do general Augusto Heleno para as manifestações do próximo dia 15 de março, que atacam os poderes legislativo e judiciário (Congresso e Supremo Tribunal Federal - STF) e "defendem a honra do presidente", como informam vários dos cartazes e vídeos em convocação ao ato nacional, que chegou a ser compartilhado pelo presidente através do WhatsApp.

Na última segunda-feira (9), Bolsonaro defendeu a administração do ministro da Economia Paulo Guedes, que no mesmo dia demonstrou extrema tranquilidade ao ser questionado por jornalistas sobre a queda abaixo de 10% da Ibovespa, que ativou o mecanismo de "circuit breaker" no final de semana, além da alta constante no dólar e o desabamento no preço do petróleo, que teve o menor valor desde 1991. "Estamos absolutamente tranquilos", afirmou o ministro, afastando preocupações maiores em relação aos resultados atuais e garantindo que está tudo sob controle, apostando 100% das fichas nas reformas estruturais do governo.

Cada vez mais distante dos poderes fundamentais, Bolsonaro está, claramente, sustentando sua força com base no apoio militar e, teoricamente, em investimentos estrangeiros, que nem de longe são uma realidade no cenário atual, principalmente depois que, em terras norte-americanas, o presidente discursou para cerca de 300 empresários, em grande maioria brasileiros residentes nos Estados Unidos, fazendo um apunhado histórico das eleições de 2018 e apontando suposta fraude no primeiro turno, sem apresentar provas e, mais uma vez, apostando em uma aliança isolada para, quem sabe um dia, instaurar um golpe no país.

O problema para Bolsonaro, entretanto, é a proximidade de formalização do Impeachment, que não deve ser sustentando apenas pelo crime de responsabilidade ao se voltar contra o Congresso e STF e ao apontar suposta fraude nas eleições, e sim com a coletânea completa de seus atos e consequências no país, incluindo os resultados da CPMI das Fake News, as relações ainda misteriosas com a milícia, entre outros fatores acumulativos que, há muito tempo, enchem o perfil do presidente de polêmicas inconsequentes, e apesar do clima de caos, ele parece extremamente à vontade no cargo, assim como seus principais ministros, sempre otimistas e sorridentes. 

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