Logo do site Diário 24 Horas
Notícias

Companhias aéreas retomam voos domésticos, mas enfrentam as dificuldades do setor

·Atualizado há mais de 4 anos
Companhias aéreas retomam voos domésticos, mas enfrentam as dificuldades do setor
A utilização de máscaras em aeroportos e voos passa a ser obrigatório com a retomada do setor

Após várias semanas de paralisação em todo o país e mundo afora, as companhias áreas no Brasil estão retomando os voos domésticos neste mês de maio. Nacionalmente, cerca de 90% dos voos foram suspensos e, internacionalmente, chegou a praticamente 100%.

As companhias aéreas dependem agora também da abertura das fronteiras aéreas para esta retomada, especialmente em um momento em que algumas cidades no Brasil estão decretando lockdown devido ao saturamento do sistema de saúde.

Há mais de um mês boa parte das empresas aéreas brasileiras está atuando um sistema de tráfego aéreo especial, para manter os estados minimamente conectados e garantir o transporte de itens essenciais neste momento de pandemia, especialmente de equipamentos de saúde. Apesar das ações, as mudanças no espaço aéreo brasileiro são latentes.

Espaço aéreo brasileiro às 9h (no horário de Brasília) em 1º de janeiro. Fonte: FlightRadar24
Espaço aéreo brasileiro às 9h (no horário de Brasília) em 1º de janeiro. Fonte: FlightRadar24
Espaço aéreo brasileiro às 9h (no horário de Brasília) em 1º de janeiro. Fonte: FlightRadar24
Espaço aéreo brasileiro às 18h (no horário de Brasília) em 9 de Maio. Fonte: FlightRadar24
Espaço aéreo brasileiro às 18h (no horário de Brasília) em 9 de Maio. Fonte: FlightRadar24
Espaço aéreo brasileiro às 18h (no horário de Brasília) em 9 de Maio. Fonte: FlightRadar24

Mesmo com um certo preparo do setor para a chegada do novo coronavírus ao país, os empecilhos são diversos, principalmente para a retomada de empregos e a administração das novas medidas sanitárias necessárias. Segundo o Gerente AVSEC (Aviation Security) Fernando Moreira, as mudanças estão sendo severas e com perspectivas pouco otimistas para o setor, que emprega diversas áreas em grandes conglomerados empresariais sob diferentes regimentos.

“É importante apontar que é uma crise que não nasce na aviação, mas que depende diretamente da aviação no que tange ao controle. É uma crise transnacional, com um modal controlador também transnacional”, relata na entrevista.

Para ele, o setor da Aviação Civil foi o responsável pelo engajamento governamental em adotar medidas de proteção sanitárias no país. Mesmo assim, apesar de todo o preparo interno para a chegada do novo coronavírus, com preparo de funcionários e compra de equipamentos de proteção individual, há a dificuldade de conciliar a necessidade de se manter a aviação ativa e manter empregos.

“Pense em um Aeroporto como um conglomerado de grandes empresas, um grande espaço coworking, mas, diferentemente de uma Startup, que nasce em uma configuração de coworking (sem muitos regimentos empregatícios), essas empresas estão interligadas por contratos de peso normativo e burocrático muito ‘pesado’. São centenas de funções, regidas por normativas específicas (respectivamente) em um único espaço”, aborda Moreira. “Houve demissões em massa, tanto aqui (Navegantes), como em Belém, e até mesmo em São Paulo”, completa.

Em relação as medidas adotadas pelo governo para a garantia de emprego e renda para auxiliar as empresas a não fecharem, o gerente opina “A manutenção tem sido muito difícil. Hoje temos funcionários na medida provisória do governo (...) As empresas estão tendo que utilizar de artifícios que foram criados pelo próprio governo para poder ser manter e já há casos de empresas que estão decretando falência”.

Sobre medidas adotadas para a volta da operação de voos domésticos, é obrigatório o uso de máscaras, luvas e distanciamento nas filas. O aeroporto de Florianópolis, por exemplo, possui uma clínica com laboratório para verificação de casos de COVID-19. Essas e outras medidas para garantir a saúde dos passageiros, tripulação e funcionários foram adotadas há meses nos aeroportos nos embarques internacionais e, posteriormente, nos nacionais.

De acordo com o Moreira, “os procedimentos que antes eram adotados somente para voos internacionais precisaram também ser adotados em voos domésticos. Assim como o 11 de setembro foi um divisor de águas para a aviação civil em respeito à segurança, a COVID-19 será nas questões sanitárias”. Ele ainda reitera que “o desemprego está fazendo com que tenhamos que escolher procedimentos. O que é mais básico, é mais necessário para poder continuar operando”.

No momento, a Azul é a companhia aérea brasileira que vem capitaneando a retomada da aviação civil brasileira, mantendo o mínimo de seus voos dentro do tráfego aéreo especial constante neste período. A GOL informou que já irá voltar a operar nos próximos dias, também adotando as medidas de segurança sanitária, com uso das máscaras obrigatórios a partir de hoje (10). Por outro lado, de acordo como o Gerente AVSEC, a companhia LATAM é a que mais tem apresentado dificuldades em retomar as operações e, até mesmo, a se programar, apesar das constantes propagandas para venda de bilhetes eletrônicos.