Por decisão pessoal, Roberto Azevêdo deixará a OMC no final de agosto

Roberto Azevêdo diz que é momento da organização internacional buscar novos ares
Roberto Azevêdo diz que é momento da organização internacional buscar novos ares

O Diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, informou hoje que irá deixar o cargo no final do mês de agosto, um ano antes de completar o seu segundo mandato na organização internacional.

Segundo ele, a renuncia após 7 anos no cargo foi uma questão pessoal, e não está ligada à questões de saúde ou de ambições políticas do diplomata de carreira. Em seu pronunciamento, Azevêdo disse: "Cheguei a essa decisão apenas depois de longas discussões com minha família - minha esposa aqui em Genebra e minhas filhas e minha mãe em Brasília. É uma decisão pessoal - uma decisão de família -, e estou convencido de que sirva aos melhores interesses dessa organização".

Com as mudanças econômicas, sociais, políticas e sanitárias que estão ocorrendo com a pandemia do novo coronavírus, o diplomata relembrou que a OMC deve se preparar para um novo cenário e, como sempre, reforçou a necessidade de novos ares para o organismo.

"Mesmo que tenhamos alcançado muito, ainda há muito mais a ser feito. Colocamo-nos metas transformadoras e ambiciosas para a MC12 [12ª Conferência Ministerial] e para a reforma da OMC. E agora precisamos garantir que o comércio contribua para a recuperação da economia global após a pandemia de COVID-19. Mas eu não serei o líder com quem vocês percorrerão esse caminho estratégico", pontuou.

A Organização, por exemplo, nunca teve uma mulher a frente como diretora e sofre com a falta de igualdade de gênero na composição da alta cúpula, bem como em boa parte da composição geral do quadro de funcionários das Nações Unidas.

Em atividade desde 1995, após anos de rodadas de negociações e substituindo e aderindo o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio), a OMC teve ao todo seis Diretores-Gerais, todos homens e brancos de diferentes países e continentes, mas até hoje, nenhum do continente africano.

Apesar do anúncio, Roberto Azevêdo afirmou que permanecerá até que a OMC eleja um novo presidente para dar continuidade a agenda do órgão.

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