Operação Lava Jato: MPF denuncia José Serra e filha por lavagem de dinheiro

Senador pelo PSDB-SP e sua filha, Verônica Allende, são alvos da Operação Lava Jato.
Senador pelo PSDB-SP e sua filha, Verônica Allende, são alvos da Operação Lava Jato.
PorCarol Souza03/07/2020 09h09

Na manhã desta sexta-feira (03) o senador José Serra (PSDB-SP) e sua filha, Verônica Allende Serra, se tornaram alvos da Operação Lava Jato ao serem denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) por suspeita de lavagem de dinheiro transnacional.

Nesta manhã estão sendo cumpridos oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro relacionados ao caso. Conforme informa em nota o MPF, a denúncia aponta que o ex-governador de São Paulo entre os anos de 2006 e 2007, "valeu-se de seu cargo e de sua influência política para receber, da Odebrecht, pagamentos indevidos em troca de benefícios relacionados às obras do Rodoanel Sul".

Diz a nota: "Milhões de reais foram pagos pela empreiteira por meio de uma sofisticada rede de offshores no exterior, para que o real beneficiário dos valores não fosse detectado pelos órgãos de controle".

Segundo a procuradoria, as investigações apontam ainda que José Amaro Pinto Ramos e Verônica Serra, filha de José Serra, teriam construído empresas com nomes ocultos no exterior tendo recebido pagamentos que a Odebrecht destinou a Serra por meio delas, ainda enquanto o político cumpria seu mandato como governador de São Paulo.

A nota diz que José Amaro e Verônica Serra "Neste contexto, realizaram numerosas transferências para dissimular a origem dos valores, e os mantiveram em uma conta de offshore controlada, de maneira oculta, por Verônica Serra até o final de 2014, quando foram transferidos para outra conta de titularidade oculta, na Suíça". De acordo com o MP, a Justiça Federal autorizou o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em uma conta na Suíça.

A Odebrecht teria pago ao atual senador o valor de R$ 4,5 milhões entre 2006 e 2007, que teriam sido usados por Serra para arcar com gastos da campanha eleitoral, e mais R$ 23,3 milhões entre 2009 e 2010 para liberação de créditos junto à Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) por conta das obras no Rodoanel Sul.

Conforme alega o MP, "por muitos anos, a Odebrecht relacionou-se com José Serra por meio de Pedro Augusto Ribeiro Novis, executivo da Braskem", que tornou-se posteriormente, delator na Lava Jato.

Novis revelou à investigação que José Serra solicitou pagamento de R$ 4,5 milhões ainda no final do ano de 2006 em uma offshore intitulada Circle Technical Company, que estaria no nome de José Amaro Pinto.

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Sobre o autorCarol Souza
Amante do cinema, dos livros e apaixonadíssima pelo bom e velho rock n'roll. Amo escrever e escrevo sobre o que amo. Ativista da causa feminista e bebedora de café profissional. Instagram: @barbooosa.carol