Guardiões do Crivella: após reportagem, assessores da prefeitura do RJ deixam grupos

Organizadores avisam que os funcionários não devem sair do grupo pois não há 'nada de errado'.
Organizadores avisam que os funcionários não devem sair do grupo pois não há 'nada de errado'.
PorBruna Pinheiro01/09/2020 10h29

Ontem (31) os jornais locais da Rede Globo denunciaram um esquema de obstrução de reportagens em frente a hospitais do Rio de Janeiro. Os responsáveis por impedir o trabalho dos jornalistas, segundo a apuração, são funcionários públicos que são pagos para fazer este trabalho pela prefeitura da capital.

A reportagem foi retransmitida no Jornal Nacional e outros da grade da emissora carioca, mostrando toda a organização do grupo, com escalas, horários e locais definidos por e para assessores especiais da prefeitura em prol de zelar pela reputação do prefeito e suas ações na saúde pública.

Grupos mostrados pela reportagem 

Grupos mostrados pela reportagem
Grupos mostrados pela reportagem

As redes sociais comentaram bastante também sobre os grupos e a organização, em especial o grupo "Guardiões do Crivella", que sofreu debandada dos membros após a transmissão da reportagem, mostrando os rostos, nomes, cargos e salários recebidos pelas pessoas que atrapalhavam as atividades jornalísticas na cidade.

Os funcionários da prefeitura chegavam a receber até R$ 10 mil começaram a sair dos grupos durante a noite. Marcos Paulo de Oliveira Luciano, o ML, responsável por dar ordens aos grupos e as escalas, enviou uma mensagem informando que "Nunca houve nada de errado aqui...".

Membros começam a sair do grupo após as reportagens. Foto: Reprodução/ TV Globo
Membros começam a sair do grupo após as reportagens. Foto: Reprodução/ TV Globo
Membros começam a sair do grupo após as reportagens. Foto: Reprodução/ TV Globo

A atuação dos funcionários constrangendo jornalistas e cidadãos a não falarem mal da prefeitura, é comemorado nos grupos quando bem sucedida. Boa parte dos funcionários mostrados são apoiadores declarados de Crivella, com fotos nas redes. A prefeitura, por sua vez, não nega a criação dos grupos e citou que a ação visa "melhor informar à população e evitar riscos à saúde pública".

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Sobre o autorBruna Pinheiro
Internacionalista. Escrevo hoje sobre política, economia, filmes e séries. Adoro viajar e comer (não necessariamente nessa ordem). Segue lá @bpinheiro1