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Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de Pantanal e Renascer, aos 95 anos

Dramaturgo estava internado no HCor, em São Paulo, e enfrentava complicações de uma insuficiência renal crônica diagnosticada há três anos.

Bruna Pinheiro
Atualizado há cerca de 1 hora
Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de Pantanal e Renascer, aos 95 anos
Benedito Ruy Barbosa faleceu na manhã da última terça-feira, 07. Foto: Reprodução TV Globo.

Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, morreu aos 95 anos na manhã de terça-feira (7), em São Paulo. O autor estava internado havia algumas semanas no Hospital do Coração (HCor), na capital paulista, e enfrentava complicações de uma insuficiência renal crônica diagnosticada há cerca de três anos.

Em comunicado, o hospital informou que a morte foi causada pelas complicações da doença renal e afirmou se solidarizar com familiares e amigos "neste momento de pesar". Ruy Barbosa vinha de internações recorrentes desde o diagnóstico, a mais recente delas no início deste ano, quando recebeu alta em janeiro após um quadro de infecção urinária associado à insuficiência renal.

O velório foi realizado no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo, das 15h às 21h desta terça (7). Segundo a GloboNews, apenas a primeira hora da cerimônia foi aberta ao público, com o restante reservado à família.

Carreira marcada por sucessos rurais e histórias de imigrantes

Autor de mais de 20 novelas ao longo de seis décadas, Benedito Ruy Barbosa assinou títulos que se tornaram clássicos da TV Globo, entre eles Pantanal, Renascer, O Rei do Gado, Terra Nostra, Sinhá Moça e Meu Pedacinho de Chão. Sua última novela original foi Velho Chico, ambientada na região do Rio São Francisco e exibida em 2016.

Ele começou a escrever para a TV ainda nos anos 1960, com "Somos Todos Irmãos" e "O Anjo e o Vagabundo", exibidas pela extinta TV Tupi. Chegou à Globo em 1971 com "Meu Pedacinho de Chão", ainda no período da ditadura militar, quando teve cenas cortadas pela censura do governo. O primeiro grande contrato de sucesso na emissora veio em 1976, com "O Feijão e o Sonho", seguido por "À Sombra dos Laranjais" (1977) e "Cabocla" (1979).

Nos anos seguintes, emplacou outros êxitos como "Paraíso" (1982), "De Quina pra Lua" (1985), "Sinhá Moça" (1986) e "Vida Nova" (1988), até consolidar sua marca registrada nos anos 1990 e 2000 com tramas rurais e histórias de imigrantes, caso de "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999). O sucesso de suas histórias rendeu remakes: "Cabocla" ganhou nova versão em 2004, "Paraíso" em 2009, "Pantanal" (original de 1990, na extinta Rede Manchete) em 2022 e "Renascer" em 2024, os dois últimos assinados pelo neto Bruno Luperi e estrelados por Marcos Palmeira.

Infância humilde no interior paulista

Nascido em 17 de abril de 1931, em Gália, no interior de São Paulo, Benedito era o mais velho de cinco irmãos e cresceu na vizinha Vera Cruz, cidade de cafezais e forte presença de imigrantes japoneses e italianos, cenário que reapareceria décadas depois em "O Rei do Gado". Aos 11 anos, perdeu o pai, Otávio Barbosa, fundador do jornal "A Voz de Vera Cruz", e precisou trabalhar para ajudar a mãe, Aurora Medeiros Barbosa, passando por funções como auxiliar de guarda-livros, vendedor de verduras na feira e faxineiro de banco antes de se mudar sozinho para São Paulo em busca de oportunidades.

Antes da televisão, atuou como repórter e revisor em jornais como "O Estado de S. Paulo" e "Última Hora", além de ter passado pela Gazeta Esportiva e trabalhado como redator publicitário na Radial Propaganda. Foi nesse período, morando em Maringá (PR), que escreveu o romance "Fogo Frio", inspirado numa geada que destruiu plantações de café na região em 1952 e que, anos depois, virou peça de teatro a convite de Oduvaldo Viana Filho.

Legado nas mãos da família

Aposentado da escrita nos últimos anos, Benedito Ruy Barbosa deixou um legado que segue vivo na TV por meio das filhas Edmara e Edilene Barbosa e do neto Bruno Luperi, todos roteiristas. Foi Luperi quem assinou os remakes de "Pantanal" e "Renascer".

A morte do dramaturgo repercutiu entre atores que trabalharam com ele. Tony Ramos, que atuou no remake de "Cabocla" (2004), disse à GloboNews que a perda representa "a perda de um brasileiro espiando a sua gente, mas com maravilhosas intenções". Segundo o ator, Ruy Barbosa "dava vazão à sua imaginação, ao seu sonho, dava vazão àquele menino do interior, dava vazão inclusive ao publicitário que ele foi".

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