A situação humanitária na Venezuela atingiu um patamar crítico nesta semana. O balanço oficial das autoridades aponta que o número de mortos pelos dois fortes terremotos que abalaram o norte do país, em 24 de junho, subiu para 3.811. A tragédia, que começou com um saldo muito menor, como detalhado em Terremoto na Venezuela já deixa 1.943 mortos e expõe tragédia histórica, escalou rapidamente à medida que as equipes de resgate alcançam áreas remotas e o estado de La Guaira continua sendo o epicentro da destruição.
Além das fatalidades, o cenário é desolador: são 16.740 feridos e quase 18 mil pessoas desabrigadas que enfrentam escassez de suprimentos básicos. Diante da incapacidade de arcar com os custos da reconstrução e do atendimento médico, a presidente interina, Delcy Rodríguez, tomou uma medida diplomática desesperada. Ela enviou uma carta formal ao Rei Charles III, no Reino Unido, solicitando a liberação imediata de cerca de US$ 1,9 bilhão em reservas de ouro venezuelanas, que permanecem bloqueadas no Banco da Inglaterra desde 2019.
O pedido de Caracas vai além da monarquia britânica. O governo venezuelano também intensificou as negociações para acessar ativos congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI), alegando que os recursos são vitais para evitar um colapso total da infraestrutura pública. Em paralelo, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um apelo global buscando arrecadar US$ 296 milhões para financiar uma operação de ajuda humanitária de emergência. A comunidade internacional observa com cautela, enquanto o país luta contra o tempo para evitar que o número de vítimas continue crescendo.
A pressão sobre o sistema de saúde é imensa, com hospitais operando acima da capacidade e falta de medicamentos essenciais. O governo venezuelano sustenta que, sem a liberação desses ativos financeiros, a resposta à catástrofe será insuficiente para atender às necessidades básicas da população afetada. O mundo aguarda agora a resposta de Londres sobre a liberação das reservas de ouro, um movimento que pode definir o futuro da assistência humanitária na região nos próximos meses.

