Em 2026, Remo e Bahia se encontraram três vezes. O Leão Azul venceu as três. É um retrospecto inédito no confronto, construído justamente no ano em que o clube paraense voltou à elite depois de três décadas, e é a bagagem que a equipe leva para Salvador nesta segunda-feira (14).
Bahia e Remo fecham a 27ª rodada do Campeonato Brasileiro às 20h, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, com transmissão do Premiere. A tabela aponta caminhos opostos: o Tricolor é o quinto colocado, com 43 pontos e dez jogos sem perder na Série A, enquanto o Remo é o 19º, com 23 pontos, e não vence há oito partidas somando Brasileirão e Copa do Brasil. O recorte dos confrontos diretos, porém, resiste a essa leitura. Vale relembrar como cada um dos três jogos aconteceu.
22 de março: 4 a 1 no Mangueirão e o fim de um jejum de 32 anos
Pela 8ª rodada da Série A, o Mangueirão recebeu um Bahia que era o último invicto da competição. Everaldo abriu o placar aos 31 minutos do primeiro tempo, mas o Remo empatou com Vitor Bueno já aos 53, em uma etapa inicial alongada pela grave lesão no cotovelo direito do goleiro Ronaldo, substituído por João Paulo.
No segundo tempo, Gabriel Taliari marcou duas vezes em nove minutos, aos 3 e aos 12. Entre os dois gols, aos 7, Luciano Juba parou em Marcelo Rangel na cobrança de um pênalti. Jajá, que havia entrado aos 35, fechou a conta aos 37: 4 a 1. Foi a primeira vitória do Remo na elite desde 27 de novembro de 1994, quando bateu o Náutico por 2 a 0. O jogo teve arbitragem de João Vitor Gobi.
22 de abril: 3 a 1 na própria Fonte Nova
Um mês depois, os clubes se reencontraram no mesmo palco desta segunda-feira, pelo jogo de ida da quinta fase da Copa do Brasil. O Bahia começou melhor, com uma boa chance de David Duarte e uma bola de Acevedo na trave, mas foi o Remo quem abriu o placar: Tchamba subiu de cabeça aos 19 minutos, em lance confirmado pelo VAR. Yago Pikachu ampliou de pênalti e Alef Manga fez o terceiro. Willian José descontou para os donos da casa.
O 3 a 1 fora de casa deixou o Leão com a vantagem de poder perder por um gol de diferença no returno do confronto.
13 de maio: 2 a 1 e a classificação às oitavas
De volta a Belém, o Bahia fez o que precisava no começo e saiu na frente com Erick, aos 21 do primeiro tempo. O segundo tempo, porém, virou uma sequência de frustrações para o Tricolor, que chegou a balançar as redes três vezes e teve todos os gols anulados, um deles após revisão do VAR por toque de mão de Acevedo no lance.
Do outro lado, Patrick empatou e Leonel Picco marcou nos acréscimos para fechar o 2 a 1. Com 5 a 2 no agregado, o Remo avançou às oitavas de final e garantiu mais R$ 3 milhões em premiação.
O que o histórico dizia antes disso
Até março deste ano, o retrospecto era amplamente tricolor: em 13 confrontos, eram sete vitórias do Bahia, cinco empates e apenas uma do Remo. Esse único triunfo azulino tinha sido em 2012, por 2 a 1 em Belém, pela segunda fase da Copa do Brasil, em um duelo que acabou com classificação baiana depois do 4 a 0 da volta, em Pituaçu. Os três resultados de 2026 mudaram o desenho de um confronto que tem história longa e poucos encontros.
Por que o jogo desta segunda é diferente
O contexto dos dois times mudou bastante desde maio. O Bahia de Rogério Ceni vive a melhor sequência do ano, com cinco vitórias e cinco empates nos últimos dez jogos do Brasileirão, e pode terminar a rodada no G4. O Remo, por sua vez, não vence desde 26 de julho, quando bateu o Vitória por 2 a 0 no Mangueirão, e chega com 83,6% de risco de rebaixamento segundo a projeção do Departamento de Matemática da UFMG.
Léo Condé também terá menos peças do que nos confrontos anteriores. Marcelinho cumpre suspensão pelo terceiro cartão amarelo e Edson Fernando foi expulso após o apito final diante do Flamengo. O lateral-esquerdo Mayk ficou fora por uma lesão na panturrilha direita e João Lucas segue em recuperação de um problema no joelho. O Bahia não conta com Erick, também suspenso, nem com o goleiro Léo Vieira.
A escalação provável do Leão tem Marcelo Rangel; Matheus Alexandre, Marllon, Tchamba e Marlon; Picco, Patrick e Zé Ricardo; Yago Pikachu, Gabriel Taliari e Galeano. Do lado tricolor, Ronaldo; Román Gómez, David Duarte, Marco Moreno e Luciano Juba; Acevedo, Jean Lucas e Rodrigo Nestor; Erick Pulga, Alejo Véliz e Kike Olivera. A arbitragem é de Rodrigo José Pereira de Lima, com Douglas Schwengber da Silva no VAR.
O próprio elenco azulino tem usado o retrospecto como argumento. O atacante Galeano lembrou que a equipe ainda não perdeu para o Bahia em 2026 e disse que o grupo está preparado para buscar a reação. É um trunfo emocional legítimo, ainda que o momento das duas equipes seja outro. Como mostramos por aqui, o Remo tem 12 jogos para reagir na Série A, e metade deles em Belém, um cenário que ajuda a explicar a leitura da diretoria sobre a permanência de Léo Condé no comando.
Três jogos e três vitórias não resolvem a temporada do Remo, e um quarto resultado positivo também não resolveria. Mas mudaria bastante a aritmética da reta final. E, para o Bahia, a chance é de encerrar o incômodo do ano diante de um adversário que aprendeu a jogar contra ele.
