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A matemática do Remo na reta final: 22 pontos em 11 jogos e sete duelos que valem o dobro

Com 23 pontos e cinco de distância para o primeiro time fora do Z4, o Leão Azul precisa dobrar o ritmo da temporada. Veja a conta da permanência, os confrontos diretos e por que vencer só no Mangueirão não resolve.

Marvin Almeida
A matemática do Remo na reta final: 22 pontos em 11 jogos e sete duelos que valem o dobro
Alef Manga é uma das esperanças de gol do Remo pra essa reta final de Brasileirão. Foto: Ascom Remo.

A derrota por 2 a 1 para o Bahia, na noite de segunda-feira (14), na Arena Fonte Nova, não tirou pontos do Remo. Tirou tempo. O Leão Azul segue com 23 pontos, na 19ª colocação do Brasileirão, e agora tem 11 rodadas para resolver uma conta que ficou mais curta e mais cara. Vale abrir a calculadora com calma.

O ponto de partida

São 5 vitórias, 8 empates e 14 derrotas em 27 jogos, com 31 gols marcados e 45 sofridos. O Grêmio, primeiro time fora da zona, tem 28 pontos — cinco a mais que o Leão — e ainda joga um atrasado contra o Botafogo nesta quarta-feira (16). Vasco e Internacional também somam 28, e o Mirassol aparece com 29. A Chapecoense, lanterna, tem 17.

A leitura importante não é a distância em si, e sim o formato dela: são quatro clubes praticamente colados entre o 15º e o 18º lugar. Ninguém disparou na briga, e é isso que mantém a porta aberta.

A conta: 33 pontos em disputa, teto de 56

Restam 11 jogos, ou seja, 33 pontos possíveis. Vencendo tudo, o Remo chegaria a 56 — cenário improvável, mas que mostra que o rebaixamento matemático está longe de ser decretado.

A régua realista é outra. Na Série A com 20 clubes, a faixa entre 44 e 45 pontos costuma separar quem fica de quem cai. As simulações do modelo ValorFinal, atualizadas após a 27ª rodada, apontam a mesma direção para o caso específico do Leão:

  • terminar com 42 pontos: risco de queda de 58%

  • terminar com 43 pontos: risco de 38%

  • terminar com 44 pontos: risco de 19%

  • terminar com 45 pontos: risco de 3,6%

  • terminar com 47 pontos: risco abaixo de 1%

Ou seja: o alvo prático é 45 pontos. Isso significa somar 22 dos 33 pontos restantes, num ritmo de 2 pontos por jogo. Na temporada, o Remo vem de 0,85 ponto por jogo. É preciso, na prática, mais do que dobrar o rendimento em um mês e meio.

Três combinações que fecham a conta:

  • 7 vitórias e 1 empate

  • 6 vitórias e 4 empates

  • 5 vitórias e 7 empates

Qualquer uma cabe no calendário. Nenhuma cabe no desempenho atual sem uma virada de chave.

Por que ganhar em casa não basta

Dos 11 jogos que faltam, seis são no Mangueirão e cinco fora de Belém. Aqui mora o detalhe que muda o planejamento: mesmo vencendo todos os seis em casa, o Remo chegaria a 41 pontos. Ainda seria pouco.

Para alcançar os 45, seriam necessários pelo menos mais quatro pontos longe de casa — uma vitória e um empate, por exemplo. O aproveitamento azulino como mandante é de 36% na competição, contra 21% como visitante. A reação, portanto, precisa nascer em Belém, mas se completar na estrada.

Os sete jogos que valem o dobro

Em briga contra o rebaixamento, o confronto direto vale mais do que três pontos: é o ponto que você soma e o que o concorrente deixa de somar. O Remo tem sete partidas assim pela frente, e quatro delas no Mangueirão:

  • Remo x Santos — 28ª rodada, sábado (19/09), em casa

  • Remo x Grêmio — 29ª rodada, 07/10, em casa

  • Vasco x Remo — 30ª rodada, 10/10, fora

  • Remo x Botafogo — 33ª rodada, 28/10, em casa

  • Remo x Chapecoense — 35ª rodada, 18/11, em casa

  • São Paulo x Remo — 37ª rodada, 28/11, fora

  • Remo x Corinthians — 38ª rodada, 02/12, em casa

São 21 pontos concentrados em jogos contra adversários que, hoje, dividem o mesmo território da tabela. E há um recorte que explica a urgência: os dois primeiros desses duelos, Santos e Grêmio, acontecem em casa e em sequência. Um começo de arrancada ali muda completamente o desenho das rodadas seguintes.

O calendário completo até dezembro

  • 28ª — Remo x Santos (casa), 19/09

Neymar deve enfrentar o Remo mais uma vez, dessa vez em Santos. Foto: Flickr Santos.
Remo vai reencontrar o Santos após polêmicas com o Neymar. Foto: Flickr Santos.
  • 29ª — Remo x Grêmio (casa), 07/10

  • 30ª — Vasco x Remo (fora), 10/10

  • 31ª — Remo x Bragantino (casa), 17/10

  • 32ª — Cruzeiro x Remo (fora), 24/10

  • 33ª — Remo x Botafogo (casa), 28/10

  • 34ª — Palmeiras x Remo (fora), 04/11

  • 35ª — Remo x Chapecoense (casa), 18/11

  • 36ª — Athletico-PR x Remo (fora), 21/11

  • 37ª — São Paulo x Remo (fora), 28/11

  • 38ª — Remo x Corinthians (casa), 02/12

Quatro dos cinco jogos fora são contra clubes que hoje ocupam a metade de cima: Cruzeiro, Palmeiras e Athletico-PR, além do São Paulo. É nesses compromissos que cada empate arrancado pesa mais do que parece na tabela final.

A mudança no comando

A conta passa a ser feita com um nome a menos no banco. Na madrugada desta terça-feira (15), o clube comunicou a saída de Léo Condé, em decisão tomada em comum acordo durante o retorno a Belém. Também deixam o clube os auxiliares Felipe Surian e Renato Negrão e o preparador físico Diego Kami Mura. O substituto ainda não foi anunciado.

Horas antes, na Fonte Nova, o próprio treinador havia resumido o desafio em uma frase que segue valendo para quem chegar: “tem que ganhar os jogos em casa, não tem outra matemática”, disse, ao citar a sequência contra Santos e Grêmio e a necessidade de buscar dois ou três pontos como visitante.

O que ainda joga a favor

O trunfo mais visível esteve nas arquibancadas há pouco mais de uma semana: 51.567 pessoas no Remo x Flamengo, maior público do futebol paraense em 2026. Em casa, nesta Série A, o Leão venceu São Paulo e Vitória e empatou com o Atlético-MG — três dos últimos quatro jogos em Belém com pontos somados até a rodada passada.

Some a isso o fato de que os concorrentes diretos também tropeçam com frequência, e a fotografia fica assim: a tarefa é grande, o prazo é curto, e a conta segue possível. Ela começa a ser respondida no sábado (19), às 18h30, diante do Santos, no Mangueirão.

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