As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) assinaram nesta quinta-feira (22), na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em Brasília, um acordo para a quebra mútua dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos à Presidência, de familiares e de empresas ligadas a eles.
A três dias do segundo turno, marcado para domingo (25), o acerto fecha uma etapa da queda de braço que começou no debate da Band e virou o principal assunto da reta final das Eleições 2026.
Quem assinou e o que falta
Lula assinou digitalmente o documento, redigido pela própria campanha petista. Pelo candidato do PL, quem assinou foi a advogada Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da campanha, com procuração de Flávio.
As procurações que ainda faltam precisam ser entregues até as 23h59 desta quinta. Elas são necessárias porque nenhum dos dois pode autorizar sozinho a abertura dos dados de outras pessoas, como parentes e sócios.
Com os documentos em mãos, caberá ao ministro André Mendonça, relator do pedido, requisitar as informações ao Banco Central, aos bancos, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. O acordo prevê que os dados sejam divulgados ao mesmo tempo, em um site de acesso público. Não há data definida, e a campanha de Lula disse esperar que o material saia antes da votação.
Empresa atrasou a assinatura
As equipes chegaram ao TSE por volta das 11h e se reuniram com integrantes do tribunal antes de fechar o texto. Segundo a campanha de Lula, o ponto de atrito foi a inclusão da Alcazar Holdings, offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que tem como único sócio formal o advogado Willer Tomaz. Em investigação sobre fraudes no INSS, a Polícia Federal apontou Flávio como "usuário master" de uma conta bancária da empresa e levantou a hipótese de participação dele no negócio. Flávio e Tomaz negam ter tido conta conjunta e dizem que a informação é falsa. De acordo com os petistas, a equipe do senador acabou concordando com a inclusão.
Lula foi representado por Edinho Silva, presidente nacional do PT, pelo senador Camilo Santana (PT-CE), pelo ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e pela deputada Camila Jara (PT-MS). Do lado de Flávio, além de Bucchianeri, esteve o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), escolhido pelo candidato para analisar os documentos do adversário.
Críticas dos dois lados
Na chegada, a equipe de Flávio disse que queria conferir se o material entregue por Lula estava completo antes de apresentar a quebra de sigilo do candidato do PL. Depois da assinatura, Deltan reclamou que os documentos de Lula ainda não estavam disponíveis para análise. Aliados do presidente, por sua vez, criticaram a demora de Flávio para aceitar o desafio.
Como a disputa chegou até aqui
Lula lançou o desafio no debate da Band, no domingo (18). Na terça (20), protocolou no TSE e no STF uma autorização para abrir os sigilos dele e de familiares dos últimos oito anos, com a condição de que o adversário fizesse o mesmo.
Na quarta (21), Flávio respondeu com uma petição a Mendonça em que chamou a oferta de "gaveta vazia" e afirmou que o patrimônio do presidente estaria em nome de terceiros. Ele autorizou a abertura dos próprios sigilos dos últimos 20 anos e de empresas das quais é sócio ou administrador, e disse não se opor à divulgação das mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em troca, cobrou a quebra dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, documentos sobre a relação do governo com Vorcaro e com a lobista Roberta Luchsinger, investigada no caso do INSS, os gastos do cartão corporativo da Presidência desde 2023 e a agenda da primeira-dama Janja anterior a fevereiro de 2025. A campanha petista anunciou ainda na quarta que aceitaria todas as condições.
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