De acordo com a pesquisa sobre Tolerância Social à Violência Contra as Mulheres, divulgado pela Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), nesta quinta-feira (27), a maioria da população brasileira acredita que a forma comportamental e vestuário é motivo de agressões sexuais.
O estudo foi divulgado logo após a ocorrência de casos de violência contra mulheres no transporte público em São Paulo. A pesquisa abordou a tolerância social à violência contra as mulheres.
Foram entrevistados para a pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social, do Ipea, cerca de 3.810 pessoas em todas as unidades da federação durante os meses de maio e junho de 2013, com 66,5% sendo representado somente por mulheres. O estudo completo faz recorte regional, de gênero, de religião, além de idade, escolaridade e renda.
Os entrevistados foram questionados se concordavam ou não com frases referentes ao tema: 65% concordaram que a mulher que usa roupa que mostra o corpo merece ser atacada. E em relação à frase "se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros", 35,3% disseram estar totalmente de acordo.
Se tratando da violência doméstica: 91,4% concordam que agressores devem ser presos, 89% acreditam que “roupa suja deve ser lavada em casa” e 78,7% concordam com a frase “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”.
Outros fatores chamam a atenção na pesquisa: 63,8% dos entrevistados considerarem os “homens como a cabeça do lar”, e a ideia de que “toda mulher sonha em se casar” é verdade de acordo 78,7%, assim como “uma mulher só se sente realizada quando tem filhos” com 59,5% de afirmação.
Segundo a assistente social Sonia Coelho, integrante da equipe técnica da Sempreviva Organização Feminista (SOF), a sociedade trata como natural a violência contra a mulher, mas não poderia culpar a própria vítima em casos de estupro. O resultado do estudo foi visto com uma preocupação alarmante.
"Por trás da afirmação, está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então, as mulheres, que os provocam, é que deveriam saber se comportar, e não os estupradores", afirmam os pesquisadores.

