Alta de 11% nos assassinatos expõe problemas paralelos à pandemia no Brasil

Mesmo com a pandemia, as taxas de homicídio aumentaram no primeiro trimestre
Mesmo com a pandemia, as taxas de homicídio aumentaram no primeiro trimestre
PorMarcos Henderson25/05/2020 14h57

Em março de 2020, os dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal apontaram um aumento de 11% no número de assassinatos, em comparação com o mesmo período do ano passado, em índice que levanta questionamentos sobre os problemas paralelos à pandemia da Covid-19 no Brasil. Em março do ano passado, foram 3.729 assassinatos, contra 4.146 este ano. Já no trimestre, são 10.924 em 2019 e 11.908 em 2020, representando um aumento de 9%.

As informações foram levantadas através do Índice Nacional de Homicídios do G1, que já havia alertado sobre o aumento de 8% na taxa de homicídios nos dois primeiros meses do ano. Vale ressaltar que em 2019 o Brasil teve uma queda de 19% no número de pessoas mortas com violência, em comparação com 2018, e gerava esperanças positivas por acumular o menor número de assassinatos desde 2007, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O aumento em 2020 reforça a problemática da violência no país, que segue em clima caótico na crise e, sob perspectiva geral, reforça os discursos de ódio, também responsáveis por uma boa parcela dos crimes violentos. O aumento de mortes em março coincide com a ampliação das medidas de fechamento do comércio e isolamento social nos estados, com o Rio de Janeiro restringindo a circulação e abertura dos estabelecimentos em 17 de março, seguido por São Paulo, que oficializou o isolamento social como forma crucial de impedir a explosão do número de casos do coronavírus. 

É extremamente complexo determinar as causas que possam ter levado a um aumento no número de mortes violentas intencionais no mesmo período em que muitas pessoas permaneceram isoladas em casa, mas acredita-se que possa ter havido oportunismo por parte de organizações criminosas, que planejaram mortes durante a pandemia, aparentemente um bom cenário para eliminação de rivais na briga por território. No centro-oeste e norte do Brasil, entretanto, as taxas diminuíram, seguindo o fluxo contrário do sudeste, parte do sul e nordeste, que apresentam altas preocupantes.

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Marcos Henderson
Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson