Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, é preso em SP; Filha foi detida em MG

Operação 'Direto com o Dono' aponta sonegação de aproximadamente R$ 400 milhões. Foto: Uarlen Valério
Operação 'Direto com o Dono' aponta sonegação de aproximadamente R$ 400 milhões. Foto: Uarlen Valério
PorMarcos Henderson08/07/2020 10h43

Ricardo Nunes, fundador da rede varejista Ricardo Eletro, foi preso nesta quarta-feira (8) em São Paulo, durante operação de combate à sonegação fiscal e lavagem de dinheiro em Minas Gerais, composta pela Receita Estadual, a Polícia Civil e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A filha do empresário, Laura Nunes, também foi presa, em Belo Horizonte. 

Intitulada "Direto com o Dono", a operação aponta uma sonegação fiscal de aproximadamente RS 400 milhões vinculada a Ricardo ao longo dos últimos cinco anos, período em que, segundo informações do delegado Vitor Abdala, o empresário se aproveitou da apropriação dos tributos, já que seu patrimônio, em tese, só crescia. 

De acordo com o superintendente regional da Secretaria de Fazenda em Contagem, Antonio de Castro Vaz, a Ricardo Eletro omitia recolhimento de ICMS há quase 10 anos, mas embutia os valores dos impostos no valor dos produtos oferecidos aos clientes, conforme informado pelo MPMG, que também destacou a situação de recuperação extrajudicial enfrentada pela empresa. 

Os estudos atribuídos à investigação concluem que a prática de Nunes pode ser caracterizada como lavagem de dinheiro a partir do momento em que ele faz crescer o próprio patrimônio durante o processo de sonegação fiscal. Os bens imóveis de Ricardo Nunes estão registrados no nome de suas filhas, mãe e de um irmão, e devem ser sequestrados pela Justiça para ressarcimento de danos causados ao estado de Minas Gerais. 

Em nota, a Ricardo Eletro reforça que Nunes e seus familiares não fazem mais parte do quadro de acionistas, nem do conselho de administração da empresa desde 2019. “A operação realizada faz parte de processos anteriores à gestão atual da companhia e dizem respeito a supostos atos praticados por Ricardo Nunes e familiares, não tendo ligação com a companhia”, informou o comunicado de esclarecimento da rede varejista, que também reconheceu parcialmente as dívidas públicas e afirmou que já estava em discussão avançada para resolver os problemas com o estado de Minas Gerais desde antes da pandemia. 

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson