Operação Snake: Estudante picado por naja é preso sob acusação de crime ambiental

A prisão tem validade de 5 dias, podendo ser prorrogada por igual período
A prisão tem validade de 5 dias, podendo ser prorrogada por igual período
PorMarcos Henderson29/07/2020 12h12

Pedro Henrique Krambeck, o estudante de veterinária que foi picado por uma cobra naja no início de julho, foi preso no Distrito Federal (DF) pela Polícia Civil, em ação integrante da quarta fase da Operação Snake, responsável por investigações de tráfico de animais. O rapaz d 22 anos foi detido sob acusação de crime ambiental, com prisão temporária válida por cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período, dependendo dos avanços das investigações. 

Até agora, a Operação Snake descobriu que Pedro criava a naja e outras cobras exóticas em casa, sem nenhum tipo de autorização válida do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O jovem acordou do coma no dia 13 de julho e apresentou um atestado médico que lhe concederia o direito de prestar depoimento somente em agosto. 

A 14ª Delegacia de Polícia (Gama), responsável pelas investigações, também cuidou da prisão de Pedro em sua própria residência, no Guará, deixando claro que acompanhou o cumprimento do mandado de prisão com as devidas verificações do quadro de saúde de Krambeck, multado em R$ 81,3 mil por manter animais nativos e exóticos em locais inapropriados; tentar dificultar as ações do órgão; e maus-tratos. 

Entenda o caso

Krambeck compartilhava fotos com várias serpentes nas redes sociais
Krambeck compartilhava fotos com várias serpentes nas redes sociais
Krambeck compartilhava fotos com várias serpentes nas redes sociais

Pedro foi picado pela naja no dia 7 de julho e precisou tomar soro antiofídico do Instituto Butantan, de São Paulo, o único local do país com disponibilidade do antídoto contra o veneno da cobra, considerada uma das espécies mais venenosas do planeta. Ele permaneceu seis dias internado, sendo cinco em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

A criação da cobra em ambiente domiciliar era feita de forma ilegal, e de acordo com informações da Polícia Civil, o estudante possuía pelo menos outras 16 cobras em casa e, ainda por cima, compartilhava fotos nas redes sociais mostrando os animais. Para piorar, a naja foi encontrada um dia após a picada, dentro de uma caixa, próximo de um shopping no Lago Sul, e as outras 16 serpentes foram localizadas em um haras, em Planaltina, teoricamente escondidas por um dos amigos de Pedro, Gabriel Ribeiro, acusado de ocultação de evidências e também preso na Operação Snake. 

Novas descobertas da Polícia Civil apontam a possibilidade de um esquema de tráfico com ramificações internacionais. Dois servidores do Ibama foram afastados por suspeita de envolvimento no esquema: um no dia 17 de julho, e outra funcionária no dia 23.

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson