Queimadas no Pantanal: Ibama reduz aplicações de multas e é investigado por fraude

As aplicações de multas caíram 22% no Mato Grosso do Sul e 52% no Mato Grosso. Foto: Gustavo Basso
As aplicações de multas caíram 22% no Mato Grosso do Sul e 52% no Mato Grosso. Foto: Gustavo Basso
PorMarcos Henderson15/09/2020 11h42

O Pantanal já teve cerca de 15% de sua área original devastada pelas queimadas, de acordo com o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), em um problema que junta a seca severa às ações humanas criminosas. No entanto mesmo com a pior crise das últimas décadas na região, as aplicações de multas no Mato Grosso do Sul pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) caíram 22% em 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado. 

Foram 50 multas de 1º de janeiro até a última segunda-feira, 14 de setembro, por violações relacionadas à vegetação, 14 a menos do que no ano passado. Vale ressaltar que cerca de 65% do Pantanal está localizado no Mato Grosso do Sul, enquanto cerca de 35% estende-se pelo Mato Grosso, onde a queda nas multas é ainda mais preocupante: foram 173 em 2020, contra 361 em 2019, o que significa uma diminuição de 52%.

ONGs auxiliam no resgate de animais atingidos pelos incêndios
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Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (15) uma operação que investiga o Ibama por fraudes ligadas a estelionatários que, teoricamente, alteravam informações nos sistemas do órgão através de certificados digitais (tokens) de funcionários para beneficiar diretamente donos de terras com áreas embargadas. Entre os territórios, os que se destacam entre os indícios de fraude são os estados do Mato Grosso e Pará. 

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De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os incêndios no Pantanal aumentaram 210% este ano, com 14.489 focos de calor. Todos os dados técnicos apontam para a necessidade de reforçar as fiscalizações e procurar um meio seguro para frear o desastre, mas a realidade é completamente oposta à urgência.

Enquanto isso, ativistas do meio ambiente trabalham incansavelmente para tirar do poder as figuras apontadas como responsáveis pela destruição das florestas, a exemplo da campanha DefundBolsonaro, que expõe a exploração da Amazônia internacionalmente e aponta o presidente Jair Bolsonaro como principal vilão da preservação ambiental no Brasil, além de petições que clamam urgentemente pela exoneração do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson