Notícias

Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da PF e manda investigar dossiês sobre autoridades

Ministro do STF determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal e do diretor de Inteligência; decisão vai a referendo da Segunda Turma até as 23h59

Bruna Pinheiro
Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da PF e manda investigar dossiês sobre autoridades
Andrei Rodrigues deixa a direção geral da PF. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Augusto Passos Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa da diretoria de Inteligência Policial da corporação. Segundo o magistrado, a medida é necessária para que o STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e a própria PF “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.

A decisão não é definitiva: ela será submetida a referendo da Segunda Turma do STF em sessão virtual extraordinária convocada para esta terça-feira, das 10h às 23h59. Integram o colegiado os ministros Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e o próprio Mendonça. O ministro também determinou que o titular da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, seja intimado para cumprir imediatamente a decisão, e que Andrei Rodrigues, Leandro Almada e a Procuradoria-Geral da República sejam formalmente comunicados.

O que motivou a decisão

A determinação foi tomada após pedidos do partido Novo para afastar e prender o diretor-geral da PF. No documento, Mendonça cita a “superlativa gravidade e ilicitude” na produção dos relatórios de inteligência divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes. A medida responde a duas petições apresentadas pela legenda nos autos da Petição 16.662 — a primeira delas em 2 de setembro, após a Polícia Federal emitir uma Informação de Polícia Judiciária que identificou citações ao nome “Andrei” em mensagens do celular apreendido do empresário Daniel Bueno Vorcaro.

Mendonça afirma ter identificado “robustos indícios” de grave omissão, participação e conhecimento da produção dos documentos por integrantes da cúpula da PF responsáveis pela área de inteligência. O ministro sustenta que o afastamento não representa antecipação de culpa e que a finalidade é impedir eventual interferência nas apurações enquanto os fatos são investigados.

Corregedoria vai apurar quem produziu os relatórios

Além dos afastamentos, a Corregedoria da PF deverá apurar quem ordenou e produziu os relatórios sobre autoridades, quando foram elaborados e se existem outros materiais semelhantes. Mendonça também proibiu a produção, a elaboração e o compartilhamento — inclusive em âmbito interno — de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados no exercício das funções de magistrados, da advocacia pública ou da polícia judiciária. A decisão impõe ainda a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares contra os dois afastados.

O ministro considera especialmente grave o fato de a inteligência policial ter produzido análises sobre o conteúdo e a motivação de decisões de um ministro do Supremo. Até as primeiras informações divulgadas, não estava esclarecido quem assumirá interinamente o comando da Polícia Federal durante o afastamento.

Brasília, DF 17/05/2025  - O diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhado do chefe do escritório da Interpol no Brasil, delegado Fabio Mertens,  durante coletiva sobre prisão de brasileiro integrante de facção criminosa em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Brasília, DF 17/05/2025 - O diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhado do chefe do escritório da Interpol no Brasil, delegado Fabio Mertens, durante coletiva sobre prisão de brasileiro integrante de facção criminosa em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A crise que levou até aqui

O caso se soma ao embate entre ministros do Supremo. Mendonça retirou em 1º de setembro o sigilo de documentos da investigação que reúne registros da relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na quinta-feira seguinte (3), Moraes determinou o envio a Edson Fachin, presidente da Corte, de relatórios da PF que apontam possíveis irregularidades na atuação de Mendonça à frente das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Preso desde novembro de 2025, o empresário prestou depoimento à Polícia Federal no fim de agosto.

O relatório da corporação detalha interações privadas entre o ministro e o banqueiro: segundo os dados, o empresário teria buscado a intermediação do magistrado junto às cúpulas da PF e da PGR, e o documento menciona que Moraes teria auxiliado na edição de um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa. Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro de 2025 — dois dias antes de sua primeira prisão —, Vorcaro pergunta a Moraes se não seria possível reverter as investigações sobre a instituição financeira junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Andrei Rodrigues.

A escalada ocorre no mesmo dia em que 13 ministros aposentados e ex-presidentes do STF divulgaram uma carta dirigida a Edson Fachin pedindo uma resposta institucional diante do que classificaram como a “mais aguda crise” da história do tribunal.

Reportagem em atualização.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Mais sobre

stf