Perseguição do BTG Pactual a Nassif reforça censura seletiva no Brasil

Derrota judicial do jornal GGN levantou novas discussões sobre a falta de transparência política. Foto: Marcos Oliveira
Derrota judicial do jornal GGN levantou novas discussões sobre a falta de transparência política. Foto: Marcos Oliveira
PorMarcos Henderson31/08/2020 13h37

Muito tem se falado sobre censura durante a pandemia da Covid-19, mas muitos dos relatos que encontramos sobre o assunto distorcem a complexidade da realidade em meros gritos conservadores revoltados com a exposição de suas crenças duvidosas. A verdade é que, nos bastidores da política nacional, a corrida para esconder ações suspeitas encontra obstáculos mais fáceis de contornar e ostenta um poder favorável de decisão para quem precisa escapar de julgamentos com agilidade e eficiência. 

Para o jornalista Luis Nassif, a justiça "tenta calar a mídia alternativa". A frase veio de uma participação no programa Bom Dia 247, nesta segunda-feira (31), após Nassif denunciar a perseguição judicial do BTG Pactual, que conseguiu retirar do ar todas as matérias do Jornal GGN relacionadas ao banco fundado pelo atual ministro da Economia, Paulo Guedes. O jornal assinado por Nassif ainda ficou sob a ameaça de pena diária de R$ 10 mil caso descumprisse a medida estabelecida pelo magistrado. 

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Para especialistas da área econômica, jornalistas e políticos, trata-se de uma afronta direta ao jornalismo e à busca pela transparência. O deputado federal Enio Verri disse que a "censura ao jornal GGN, do jornalista Luis Nassif, só é possível graças à supressão da democracia, com o golpe, de 2016". Fernando Haddad afirmou que "a grande mídia faria bem ao princípio da liberdade de imprensa se desse sequência às reportagens" do jornalista. 

As reportagens do GGN que foram retiradas do ar exibiam a compra de carteiras de crédito avaliadas em quase R$ 3 bilhões do Banco do Brasil, por apenas R$ 370 milhões. 

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson