Ministro Celso de Mello quebra sigilo de vídeo de reunião ministerial citada por Moro

A reunião foi citada por Sérgio Moro em seu depoimento à PF
A reunião foi citada por Sérgio Moro em seu depoimento à PF

Após alguns dias de especulação, o Ministro do STF, Celso de Mello, quebrou o sigilo do vídeo da gravação da reunião ministerial de 22 de abril deste ano, citada por Sérgio Moro em seu depoimento no último dia 2. A gravação, de acordo com o ex-ministro da Justiça, seria uma das provas de que o Presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal para proteger seus familiares.

O vídeo foi assistido pelo STF na semana passada, juntamente de Moro e seus advogados, desde então a expectativa era de que o ministro que conduz a investigação liberasse o conteúdo para o público, como foi feito com o depoimento do ex-juiz à PF. Hoje, às 17h, o STF quebrou o sigilo e liberou o vídeo em seu site, que chegou a sair do ar com grande número de acessos.

Vários canais de televisão repercutiram os trechos da reunião de mais de duas horas e é possível notar o tom alterado do presidente e seus ministros. Com vários palavrões, xingamentos à governadores, prefeitos, membros do STF, incentivo ao armamento e ao desmatamento, os vídeos trazem à tona como o governo tem lidado com as suas próprias ações e reputação, e praticamente nenhuma ação ou menção ao combate da pandemia.

 O ministro da Educação, Abraham Weintraub disse em determinado momento da gravação: “A gente tá perdendo a luta pela liberdade. É isso que o povo tá gritando. Não tá gritando pra ter mais Estado, pra ter mais projetos, pra ter mais... o povo tá gritando por liberdade, ponto. Eu acho que é isso que a gente tá perdendo, tá perdendo mesmo. A ge... o povo tá querendo ver o que me trouxe até aqui. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”.

O presidente, por sua vez, cita a Polícia Federal: "E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. Nos bancos eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora os demais, vou! Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações".

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, propôs aos presentes que aproveitassem o momento da pandemia para passar normativas que mudem as regras de proteção ambiental: "A oportunidade que nós temos, que a imprensa está nos dando um pouco de alívio nos outros temas, é passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação, todas as reformas que o mundo inteiro nessas viagens que se referiu o Onyx certamente cobrou dele, cobrou do Paulo, cobrou da Teresa, cobrou do Tarcísio, cobrou de todo mundo.".

A ministra Damares Alves, da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, falou: “A pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos. E nós tamo subindo o tom e discursos tão chegando (sic). Nosso ministério vai começar a pegar pesado com governadores e prefeitos. Nunca vimos o que está acontecendo hoje”.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez novas insinuações sobre privatizações: "O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. Porque ele não é privado, nem público. Então se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar 'bota o juro baixo', ele: 'Não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam.' Aí, se falar assim 'bota o juro alto', ele: 'Não posso, porque senão o governo me aperta'. O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização".

Com todo o alvoroço gerado pelo vídeo, o ex-ministro da Justiça foi as suas redes sociais dizer que a “verdade veio à tona”, já que a sequência dos fatos ocorridos e o vídeo corroboram com seu posicionamento.

Confira um trecho da reunião ministerial:

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