O mercado global de energia voltou a entrar em alerta após a Rússia suspender temporariamente as exportações de diesel. A medida, válida inicialmente até o fim de julho, agravou a escassez do combustível no mercado internacional e provocou uma alta de cerca de 11% nos contratos futuros de diesel nos Estados Unidos. Para o Brasil, que depende de importações para atender parte da demanda interna, o impacto pode ser sentido nos próximos meses.
A decisão do governo de Vladimir Putin foi motivada pelos ataques ucranianos que atingiram refinarias russas, reduzindo a capacidade de produção do país e obrigando Moscou a priorizar o abastecimento interno. Como a Rússia se tornou um dos principais fornecedores de diesel para o Brasil, importadores brasileiros deverão buscar novos mercados, como o Golfo do México, onde os preços são mais elevados.
O cenário é agravado pela tensão no Oriente Médio. Os confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã aumentaram a volatilidade do mercado de petróleo e elevaram o risco para o transporte marítimo, pressionando ainda mais as cotações internacionais.
No Brasil, o principal reflexo pode ser o aumento dos custos do transporte rodoviário. Como o diesel é o combustível utilizado pela maior parte da frota de caminhões, uma alta prolongada tende a elevar o valor dos fretes, encarecendo o transporte de alimentos, produtos industriais e insumos agrícolas. O efeito pode chegar ao consumidor por meio da inflação.
Para reduzir os impactos, o governo federal tenta aprovar um crédito extraordinário de R$ 10 bilhões para subsidiar o diesel rodoviário até o fim de 2026. A proposta já recebeu aval da Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado.
Especialistas avaliam que o subsídio pode amenizar os efeitos no curto prazo, mas alertam que a duração da crise dependerá da evolução dos conflitos internacionais. Se a oferta global de diesel continuar pressionada, o Brasil poderá enfrentar novos reajustes no combustível e maiores dificuldades para conter a inflação.

