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Ofensiva contra crimes digitais: ANPD suspende transmissões ao vivo do Discord no Brasil após morte de adolescente

A ANPD suspendeu transmissões ao vivo no Discord até que a plataforma comprove a adoção de medidas eficazes para proteger crianças e adolescentes.

José Wilker
Ofensiva contra crimes digitais: ANPD suspende transmissões ao vivo do Discord no Brasil após morte de adolescente
Aplicativo Discord é amplamente utilziado no mundo Gamer e também por empresas techs. Foto: ilgmyzin / unplash.

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), a suspensão preventiva de todas as transmissões ao vivo da plataforma Discord no Brasil. A medida cautelar estabelece um prazo de três dias úteis para que o recurso 'Go Live' e ferramentas correlatas de compartilhamento de vídeo sejam desativados em território nacional, sob pena de sanções administrativas, até que a empresa comprove a implementação de mecanismos eficazes para a proteção de crianças e adolescentes.

A decisão do órgão regulador ocorre na esteira de investigações sobre a morte de uma adolescente de 13 anos, ocorrida em 22 de julho de 2026, em Naviraí (MS). De acordo com as autoridades, a jovem foi coagida a cometer suicídio durante uma transmissão ao vivo realizada em um servidor privado da plataforma. O caso passou a ser apurado pela Polícia Civil do Mato Grosso do Sul e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, sob as tipificações de homicídio qualificado e organização criminosa.

No dia 4 de agosto de 2026, uma operação policial foi deflagrada para prender os suspeitos de induzir a adolescente ao autoextermínio. A ação resultou na apreensão de cinco adolescentes e na prisão de um homem de 18 anos. Conforme apontam os investigadores, servidores privados no aplicativo têm sido utilizados de forma recorrente por grupos para disseminar conteúdos de misoginia, racismo, apologia ao neonazismo e aliciamento de menores de idade.

A repercussão do episódio gerou forte pressão institucional sobre a empresa de tecnologia. Em 6 de agosto de 2026, a primeira-dama Janja Lula da Silva defendeu publicamente o bloqueio imediato do aplicativo no país. No dia seguinte, a Advocacia-Geral da União (AGU) iniciou uma série de reuniões com representantes da companhia para exigir a adoção de termos rígidos de verificação de idade e segurança. A suspensão preventiva de lives decretada pela ANPD sucede as discussões em torno das propostas apresentadas pelo Discord à AGU para tentar mitigar os riscos a menores de idade.

O processo de fiscalização aberto pela ANPD em 7 de agosto de 2026 apura se a plataforma descumpriu obrigações previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), marco regulatório em vigor no país. Em sua defesa, a Discord Inc. afirmou que desativou o servidor específico utilizado para o incentivo à automutilação antes do falecimento da adolescente. Paralelamente às discussões de segurança, a plataforma manteve seu cronograma de desenvolvimento global e, em 11 de agosto de 2026, lançou atualizações de interface que incluem um editor visual para biografias e novas opções de privacidade de perfil.

Fundada em 2015 por Jason Citron e Stan Vishnevskiy, a plataforma, sediada em São Francisco, na Califórnia, consolidou-se como um dos principais canais de comunicação para comunidades de jogos e tecnologia, alcançando cerca de 690 milhões de usuários registrados em 2026. Com uma avaliação de mercado estimada em US$ 15 bilhões, o aplicativo conta atualmente com uma base global que varia entre 200 milhões e 260 milhões de usuários ativos mensais. O debate no Brasil sobre a atuação de redes sociais e aplicativos de mensagens coloca em evidência os desafios de moderação em ambientes virtuais privados e a urgência de políticas de segurança digital.

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