Brasil 'enfrentará consequências' se der acesso ao 5G da Huawei, diz embaixador dos EUA

Diplomata disse que o Brasil não sofreria represálias, mas poderia ser prejudicado se escolher a empresa chinesa
Diplomata disse que o Brasil não sofreria represálias, mas poderia ser prejudicado se escolher a empresa chinesa
PorMarcos Henderson29/07/2020 11h41

O embaixador dos EUA, Todd Chapman, disse em uma entrevista que o Brasil pode enfrentar "consequências" se permitir que a Huawei Technologies, da China, instale sua rede 5G em território nacional. A afirmação vem na esteira de ações norte-americanas contra a China, a exemplo do fechamento do consulado chinês em Houston com a justificativa de que o local estaria sendo utilizado para interferir "na propriedade intelectual" dos EUA. 

Chapman acredita que a Huawei entregaria dados ao governo chinês através de espionagem, repetindo as teorias da conspiração que chegaram a ser bloqueadas no YouTube após diversas queixas de desinformação. A companhia chinesa nega que realiza ações de espionagem para o governo. Em entrevista ao jornal "O Globo", Chapman afirmou que o Brasil não sofreria represálias caso escolha a Huawei, mas poderia sofrer consequências. 

Chapman mantém relação diplomática amigável com Bolsonaro
Chapman mantém relação diplomática amigável com Bolsonaro
Chapman mantém relação diplomática amigável com Bolsonaro

"Cada país é responsável por suas decisões", disse o principal diplomata dos EUA no Brasil. "As conseqüências que estamos vendo no mundo são que as empresas envolvidas na propriedade intelectual têm medo de fazer investimentos em países onde essa propriedade intelectual não está protegida", completou Chapman, também aproveitando para dizer que a International Development Finance Corp, uma agência criada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para aumentar os esforços de financiamento de desenvolvimento no exterior dos EUA para combater a influência da China, tem US$ 60 bilhões em seus cofres.

Ele deixou claro que o governo dos EUA concordou em disponibilizar dinheiro do fundo para ajudar os aliados que optam por comprar sua infraestrutura de telecomunicações a "fornecedores confiáveis", reforçando os esforços norte-americanos para que o Brasil, de fato, não opte pela Huawei, mesmo que a empresa chinesa apresente excelentes propostas. 

No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro, aliado direto de Trump, afirmou que a implantação do 5G deveria atender aos requisitos de soberania nacional, informações e segurança de dados. A grande questão gira em torno das relações comerciais do Brasil com a China, principal destino de exportações brasileiras. A Huawei alertou, também no mês passado, que o Brasil poderia sofrer anos de atraso caso sucumbisse à pressão dos EUA para evitar um contrato tecnológico com a China, sobretudo porque grande parte das operadoras brasileiras já trabalham com infraestrutura da Huawei. 

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Sobre o autorMarcos Henderson
Publicitário, músico e, aqui, escrevo sobre o que as diferentes culturas têm a nos dizer. Como artista, celebro a força da arte e conto histórias do entretenimento. Twitter: @marhoscenderson